Mais do que o governador eleito Paulo Hartung (PMDB), o PT capixaba vai ter que se penitenciar diante da presidente reeleita Dilma Roussef (PT), pois o jogo feito às escuras entre Hartung e o presidente regional do PT, João Coser, impediu que Dilma saísse vitoriosa no Estado, como já havia ocorrido com Lula em 2002 e 2006; e Dilma em 2010 e 2014.
Ficou mais do que claro que a votação da petista no Estado, embora expressiva – teve pouco menos de 150 mil votos em relação a Aécio – dependeu dela mesma. Os votos vieram com a propaganda eleitoral e outros mecanismos de indução de voto. Como os esforços isolados dos petistas basistas esbarrando na conduta do presidente do seu partido que, como candidato ao Senado, teria que alinhar o partido a candidatura presidencial.
Mas Coser preferiu, inclusive, na propaganda de sua candidatura, as cores verdes no lugar do tradicional vermelho que identifica o PT. Ele também evitou fazer referência à candidatura de Dilma durante a campanha dele. E esconder a Dilma não foi um a atitude isolada do Coser. Outros próximos dele também tiveram a mesma atitude, como o caso do presidente da CUT no Estado José Carlos Nunes.
Para piorar a situação, Dilma perdeu de lavada nos dois principais municípios que tem o PT à frente: Cachoeiro de Itapemirim e Colatina. Ambos também da facção do Coser.
Em realidade, a conduta desses dois prefeitos, como os demais que esconderam Dilma reflete a realidade política do Estado em que o PT, a partir do comando de João Coser, optou por um alinhamento sistemático com Paulo Hartung. Dando, portanto, preferência à política estadual. Pela qual guiou as atitudes políticas de Coser à frente da prefeitura de Vitória.
A ponto do candidato ao governo do partido, o deputado estadual Roberto Carlos, ter sido escolhido em comum acordo com o próprio Paulo Hartung. A estratégia atendeu os interesses de Hartung. Roberto Carlos teve uma votação inexpressiva para um candidato do PT, o que evitou que a disputa ao governo fosse para segundo turno.
A submissão do PT de Coser se reflete na nova bancada do partido na Assembleia Legislativa, formada por Nunes, Frei Honório e o cachoeirense Rodrigo Coelho. Com exceção do religioso, que desceu de paraquedas no PT, por ser de extrema direita, os outros dois rezam também pela cartilha do Coser e devem, por via de consequência, pautar os seus mandatos no apoio ao governo de Paulo Hartung.
O mesmo não deve acontecer com os dois petistas eleitos para a Câmara dos Deputados. Ambos pertenceram ao governo de Casagrande (Helder Salomão e Givaldo Vieira). Em cujas bases eleitorais (Cariacica e Serra) a presidenta Dilma Roussef venceu as eleições. Restando aos dois as perspectivas de mudança no PT capixaba, principalmente com relação a Helder Salomão, ligado à causa do empreendedorismo, iniciativa que o projetou no cenário político nacional.

