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PH inventa saídas

O governador Paulo Hartung, que surpreendeu o mundo político essa semana ao anunciar que vai destinar R$ 1 bilhão para investimentos em pleno período eleitoral, mudou o rumo das eleições no Estado. Obra jorra voto, principalmente, para a pirâmide formada por deputados federais e, sobretudo, estaduais.
 
A certeza dessa mudança de rumo ficou caracterizada em uma entrevista do ex-governador Renato Casagrande (PSB) nesse sábado (30) à noite, em um programa de televisão, quando usou argumentos bem distantes do processo eleitoral e se posicionou mais em como deve ser um governo do que como um competidor. Em síntese, R$ 1 bilhão para Hartung fazer e acontecer em 2018 o abalou. E não poderia ser de outra maneira.
 
PH, que vem tentando se situar no nível nacional, de olho na vice ou na Presidência da República, retoma o controle político do Estado, tanto para disputar o governo quanto para tentar fazer o sucessor, se for o caso.
 
Não podemos esquecer que, no caso específico de PH voltar a disputar o governo, terá de ter condições de afogar a candidatura de Rose de Freitas, já que ambos vêm do mesmo partido, o PMDB. 
 
Evidentemente, que há contra PH uma perda enorme de popularidade no Espírito Santo, mas até quando isto vai permanecer? Quando esta situação será amainada pelos resultados das obras? Obra leva benefícios para as regiões e credencia candidatos.
 
Esta busca pela retomada do controle eleitoral do Estado não exclui PH da tentativa de competição pela Presidência da República, que vejo razoavelmente distante, já que a maré de navegação de Hartung é mesmo o Estado. 
 
Como possível sucessor, o governador tem o vice César Colnago (PSDB), que já passou por todo o tipo de experiência para almejar este papel. Há outros no ninho do PH que cobiçam este lugar. E não podemos esquecer o sempre ambicioso secretário de Estado de Agricultura, Octaciano Neto, do PSDB.
 
Eu poderia supor, ainda, que para PH há a possibilidade de concorrer ao Senado, mas não acredito que na sua idade e fase que atravessa, amparado por figuras em nível nacional, ele queira isso, e também acho o Senado complicado. Não é base de pirâmide. É algo à parte. 
 
Acho temerário para ele. Os concorrentes são fortes e o páreo será duro. Pode pegar um Magno Malta (PR), um Sergio Majeski (PSDB). Não seria bom colocar a cara nesta batalha e pôr a perder todo o seu projeto de domínio político do Estado, num momento em que investe uma quantia deste porte para virar o jogo. 
 
Além disso, causaria prejuízo ao senador Ricardo Ferraço (PSDB), que almeja a reeleição e está em busca dela peregrinando pelo Espírito Santo. A dobradinha perfeita para Ricardo é PH candidato ao governo do Estado, levando-o debaixo do braço. 
Essa é a desorganização que PH produziu, com o anúncio de R$ 1 bilhão para obras eleitoreiras no próximo ano.

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