Duas movimentações recentes do Palácio Anchieta na Assembleia mostram que o governador Paulo Hartung (PMDB) está decidido a recuperar o controle do jogo político com vistas ao processo eleitoral de 2018.
Um dia depois de receber o apoio da elite empresarial, que se solidarizou com o governador, que teve o nome envolvido no esquema de “caixa 2” da Odebrecht, o Projeto de Lei 118/2017 foi aprovado na Assembleia. O PL do governo garante o perdão de dívidas tributárias de contribuintes que cometeram infrações “sem má-fé ou alegado desconhecimento da lei”. Para variar, o único deputado que votou contrário ao projeto foi Sérgio Majeski (PSDB).
Na última terça-feira (2), PH mandou para Assembleia um Projeto de Lei Complementar (PLC) que autoriza o governo a doar bens móveis aos municípios do Estado. A medida permite que o governador faça entregas aos municípios e dê início às movimentações eleitorais Estado adentro.
Com as jogadas PH rompe o período de claustro imposto pela greve da Polícia Militar e delação da Odebrecht. Ele ressurge para assumir o papel de regente do processo eleitoral no ano que vem. PH deixa em aberto, por enquanto, se disputará algum cargo nas eleições. O que é certo é o seu anseio de retomar o controle do processo político-eleitoral.
Como o coringa num jogo de canastra, PH flutua esperando o momento certo para decidir se terá que “sujar” ou não a canastra real. Vai depender da “mão” de Hartung na hora H: ou ele entra na disputa ao Senado ou mesmo ao governo – o que considero uma hipótese bastante remota – ou ainda, simplesmente, encerra seu mandato e passa em branco.
Enquanto o jogo corre, PH ainda não desistiu do seu projeto, frustrado no início deste ano, de migrar para o PSDB. Apesar de ainda não ter descartado essa hipótese, do lado tucano, o vice-governador César Colnago já se articula sua própria estratégia para não depender das movimentações intempestivas do “coringa”. Colnago estaria decidido a se garantir na disputa à Câmara dos Deputados para não ficar na dependência do jogo de PH, que pode descartá-lo a qualquer momento, como fez com o então vice, Ricardo Ferraço (PSDB), em 2010, para apoiar Renato Casagrande (PSB).
Mas essa quase obsessão de PH em migrar para o PSDB tem um motivo especial: Sérgio Majeski. Hartung sabe que sua ída para o partido seria sua cartada mais eficaz para tentar neutralizar o deputado. No mesmo partido, ele evitaria o confronto direto com Majeski. Como já escrevi aqui, independente do cargo que Majeski disputar nas eleições de 2018, PH sabe que o tucano terá influência importante no processo eleitoral, como representante mais genuíno da “nova política”.
O desafio para PH, porém, é demover parte significativa do ninho tucano que se recusa a carimbar o passaporte e ingressá-lo no partido. Esses tucanos já perceberam que a prata da casa que mais reluz hoje no partido se chama Majeski, e não estão dispostos a perdê-lo.
Eles sabem que não há espaço dentro do mesmo partido para PH e Majeski. Se Hartung forçar o pouso no ninho, o deputado tucano bate asas na mesma hora.
Não podemos esquecer que desde o início de seu mandato, em 2015, Majeski não deixou de fazer críticas ao governo Paulo Hartung. Começou pelas críticas à política educacional e não parou mais. Aliás, o primeiro deputado a se declarar oficialmente oposição ao Palácio Anchieta.
Essa posição de independência, de compromisso exclusivo com os interesses da sociedade, faz parte desse perfil inovador que Majeski trouxe para o Legislativo estadual. Esse é exatamente o diferencial do deputado que tem despertado uma ponta de esperança no eleitor que ainda acredita que a solução para a crise política está na própria política.

