
Se você, assim como eu, tem a convicção de que a gestão do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), nunca disse a que veio na área ambiental, prepare-se para o cenário de 2016. A peça orçamentária do prefeito corta a verba já apertada da Secretaria de Meio Ambiente (Semmam) em nada menos do que 47,93%, pouco mais de R$ 20 milhões (este ano foram destinados à pasta R$ 41,964 milhões). Na lista, a Semmam está na quarta posição em cortes, de 25 setores ao todo. Só perde para Obras; Turismo, Trabalho e Renda; e Companhia de Desenvolvimento de Vitória. A medida, embora preocupante, não surpreende. Basta pensar no número de secretários trocados na pasta até hoje, as raras – para não dizer nenhuma – vezes em que o prefeito botou a cara na reta para se posicionar sobre as questões que impactam os moradores, e a total ausência de fiscalização na cidade. A omissão é ainda mais sintomática, se considerarmos o tanto que os problemas ambientais ficaram em evidência este ano, com CPIs, denúncias e mobilizações populares. Mas nem assim, provocado, Luciano abraçou alguma causa. A navalha da vez apenas confirma o que já é claro. Meio ambiente não é e nunca foi prioridade para o prefeito que, olha só, é médico! Como diz o outro: nada é tão ruim que não possa piorar.
Lista extensa
E olha que problema ambiental a Capital tem de sobra. Vou citar alguns: é a cidade da Grande Vitória que recebe a maior carga de pó preto das poluidoras Vale e ArcelorMittal; passivo ambiental da Vale em Camburi; poluição e pesca predatória da baía de Vitória; esgoto; balneabilidade….ah, e ainda o caso mais recente da onda de rejeitos da Samarco/Vale, que merece atenção por muitos meses.
Abacaxi
Quero ver, agora, o novo secretário Luiz Emanuel Zouain (PPS) cumprir todas aquelas promessas que anunciou quando tomou posse. Está frito. Ou melhor, estamos.
Comparação
Em quais setores Luciano injetou mais verba? Procuradoria Geral do Município (26,5%), Instituto de Previdência (14,29%), Controladoria Geral do Município (12%), Transportes (11%) e comissionados (10,29%).
Não foi acidente
O deputado federal Paulo Foletto (PSB), que é de Colatina (noroeste do Estado), cidade que tem sofrido os impactos do crime da Samarco/Vale, resolveu tratar do caso na sessão dessa terça-feira (1) na Câmara. Por duas vezes, se referiu à maior tragédia socioambiental do País como “acidente”. Acidente não, deputado, crime!
Não foi acidente II
Foletto ainda veio com aquele discurso de que “não é hora de sacrificar a Samarco, que a empresa precisa “manter suas atividades, recolher impostos e pagar os prejuízos”. Diz ele que a empresa já foi “culpada e condenada”. Foi?
Mais ou menos
De bom, mesmo, só valeram as críticas de Foletto à repressão feita pela tropa de choque aos protestos realizados em Colatina contra a péssima distribuição de água mineral e à potabilidade da água captada do rio Doce. Ele, porém, centrou fogo na prefeitura, ao invés da Samarco.
Enquanto isso…
O deputado Marcelo Santos (PMDB) surpreendeu na Assembleia ao reconhecer que diferente do que pensava, Enivaldo dos Anjos (PSD) não exagera em se referir à Samarco/Vale como criminosa. Santos repetiu a diferença de tratamento dado aos diretores da empresa e aos pequenos, como o catador de caranguejo preso e algemado por atuar no período de defeso, provavelmente, para sustentar a família.
Opa!
A Petrobras requereu à Secretaria de Meio Ambiente de Vitória (Semmam) licença de operação para sua sede administrativa da Reta da Penha. Vai operar o que ali?
Nas redes
“A qualidade da água nas praias de Vitória tem sido constantemente questionada por muitos banhistas e por quem pratica esportes no mar. E já sabemos que o motivo é o lançamento irregular de esgoto em alguns pontos”. (Vereador Davi Esmael – PSB – no Facebook).
PENSAMENTO:
“O que é mau na moral, mau é também na política”. Jean-Jacques Rousseau

