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Pior que o soneto

De certa feita, um pretenso escritor entregou um soneto de sua autoria para avaliação do celebre poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, pedindo-lhe que sinalizasse os erros com uma cruz. Após a leitura, Bocage devolveu o texto sem nenhuma marcação, com a justificativa de que os erros eram tantos que a emenda ficaria pior do que o soneto e daí surgiu a expressão.
 
A história lembra o imbróglio criado no embate entre o secretário de Saúde de Vila Velha, Jarbas Ribeiro de Assis Júnior, e o secretário de Saúde do Estado, Ricardo de Oliveira. Depois de todo o clima criado no fim de semana entre os dois, o prefeito Max Filho (PSDB) vem a público para tentar pôr panos quentes na situação causada. Mas a justificativa não repercutiu bem nos meios políticos.
 
Ao tentar justificar uma nota sobre a falta de atendimento na Saúde, divulgada no sábado (1), dizendo que ela foi divulgada sem seu consentimento, o prefeito dá margem para duas interpretações: a primeira é de que ele não tem controle sobre sua equipe de trabalho. Como uma nota pode ser divulgada sem o consentimento do prefeito? Isso não faz sentido. Acaba jogando a responsabilidade para cima de seu secretário de Saúde, que é presidente regional do PSDB. O episódio acaba atingindo indiretamente o vice-governador César Colnago, de quem Jarbas é aliado de primeira linha.
 
A outra interpretação é de que o prefeito recuou diante do governo do Estado. A nota de Ricardo Oliveira foi dura e levou a discussão para o campo político, alegando que a nota da prefeitura de Vila Velha é “absurda”, “irresponsável” e “demagógica”. E acrescentou: “Coisa da velha política, de quem não se preocupa com a estrutura da saúde”. E seguiu nesse discurso pesado.
 
Mas a nota divulgada por Jarbas não tem caráter político. Apenas faz um registro da situação caótica do atendimento infantil em Vila Velha. Quem politiza a questão Ricardo de Oliveira. Logo o “Neymar” do time de Hartung, o secretário mais técnico da gestão foi justamente o que mais entrou na discussão política e ainda jogou no gestor errado.
 
Se há um problema de gestão na saúde de Vila Velha, ela deve ser colocada no colo do antecessor, afinal o tucano tem pouco mais de 90 dias de prefeitura. Ricardo de Oliveira foi quem entrou errado no debate. Max Filho disse não ter autorizado a nota, mas será que Hartung deu anuência à resposta de Ricardo?

Fragmentos

1 – Com a possibilidade de o partido perder dois deputados estaduais, o PDT quer mais espaço no governo. Até para ter na Assembleia o suplente Luiz Durão, que, dizem, vem cobrando acomodação no plenário, desde o retorno de Rodrigo Coelho para o Legislativo, vindo da Secretaria de Assistência Social.

2 – O professor da rede estadual de ensino Mauro Lúcio de Oliveira ocupou o tempo destinado à tribuna popular na sessão dessa segunda-feira (3). Entre os problemas apontados estiveram a baixa remuneração, a falta de gestão democrática nas unidades escolares e o número excessivo de alunos por turma. Terminou o discurso dizendo: Fora Temer!

3 – Começou a fazer efeito a bronca dos deputados com o governo do Estado pela enxurrada de projetos em regime de urgência. Nessa segunda (3), apenas dois foram lidos no Expediente e o líder do governo não se arvorou a pedir extraordinária para votar.

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