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Após os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia votarem contra o parecer do deputado Sérgio Majeski (PSDB), contrário ao Escola Viva, o governo deu um passo muito grande para a aprovação do projeto na Assembleia Legislativa. Derrotar o parecer na comissão cuja Majeski é presidente era simbólico para o governo. Por isso houve tanto zelo para que os outros membros da comissão, Nunes (PT) e Mansur (PSDB) votassem contra o parecer de Majeski.
 
Embora a aprovação do projeto pela Casa agora seja iminente, não esconde, como denunciou o próprio Majeski em seu parecer, a inconsistência do projeto e o prejuízos que irá causar ao ensino médio do Estado. Além disso, a imposição do governo tenta estancar a manifestação do movimento de pais, alunos e professores contrários à proposta. A manobra do governo é também serve para intimidar o novato deputado, que produziu todo o arrazoado que desmontou a oportunista proposta do governo Paulo Hartung.
 
Desde o começo, a manobra mal orquestrada do governo deu brecha para fortalecer à oposição ao projeto, levando a classe estudantil para as ruas e galerias da Assembleia. Majeski, que fala da educação com conhecimento de causa, se tornou o principal interlocutor desse movimento. Uma espécie de regente e criador das partituras que deram consistência à rejeição popular ao Escola Viva. O deputado não recorreu só à didática para falar a um público que lhe é familiar, mas foi extremamente convincente nas suas argumentações.
 
Assustado, o governo percebeu que precisa reagir imediatamente para sufocar o movimento e evitar que ele continue ganhando forças nas ruas e mobilizando outras frentes populares que têm em comum os descontentamento com as políticas do governo Hartung.
 
Hartung sentiu que o movimento pode ameaçar o próprio equilíbrio do seu governo, situação completamente inédita para ele, que sempre neutralizou, com a ajuda da imprensa, esse tipo de movimento nos seus dois mandatos anteriores. Só que dessa vez, o regente mostrou que não está disposto a entregar a batuta. Talvez até por falta de noção de perigo. A mesma noção que norteia as ações dos deputados dessa Assembleia, que continuam fiéis ao instinto de preservação política.
 
Pois a era Paulo Hartung é a era da concentração de poderes de um governante que manipula os demais poderes e dá direção aos financiadores de campanhas eleitorais, num processo de tirania absoluta.
 
E olha que a Assembleia atual está dando uma demonstração de vitalidade em algumas de suas CPIs, com está ocorrendo com a da Máfia dos Guincho, e pode ocorrer também com outras que estão em andamento, mas que não dizem absolutamente nada em relação ao governo do Estado. Passam ao largo de Hartung. Fica a sensação de que a CPI é uma forma escapista da Assembleia em dar uma resposta às demandas da sociedade, às vezes até com certa resolutividade, como no caso da Máfia dos Guinchos, mas não passa disso. Existe todo um cuidado para que as investigaçõesnão esbarrem no Palácio Anchieta.
 
Aliás, olhando pelo prisma da fiscalização do governo, primordial na sua atividade, a Assembleia continua absolutamente negligente e ausente. Prova disso é esse episódio do Escola Viva. Ficou patente que a aprovação do projeto é só uma questão de tempo, e tirando as condutas de Majeski e Enivaldo dos Anjos (PSD), que foram coerentes desde o começo sobre suas posições contrárias ao projeto, o resto fez encenação.
 
O governo continua incólume à fiscalização da Assembleia e mantém a escrita de quem ousa contrapor-se a ele antecipa o seu destino de desabrigado do governo, reforçando a tese de que não há vida política fora da sua órbita. Majeski, teimoso, tenta provar que há.
 
Pensamento
“Os que não se lembram do passado estão condenados revivê-lo.”Santayana.

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