Na obra A República, o filósofo grego Platão utiliza uma alegoria para tratar a forma como a humanidade enxerga o mundo. O mito da caverna fala sobre prisioneiros que vivem acorrentados desde o nascimento em uma caverna. A luz de uma fogueira projeta na parede para a qual estão virados várias sombras com imagens do mundo atrás deles, cenas do dia a dia fora da caverna.
Um dos prisioneiros é solto para conhecer o mundo externo. Fora da caverna a claridade do dia, do sol o cega. Mas após a primeira experiência dolorosa, ele entra em contato com a realidade, percebendo que passou toda a vida analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. Após sair da caverna e entrar em contato com o mundo real, ele volta à caverna para passar todo conhecimento adquirido do mundo exterior para seus pares ainda absortos. Mas os prisioneiros só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede e o homem livre é ridicularizado, suas ideias são consideradas absurdas, mentirosas.
A alegoria da caverna foi usada pelo deputado Sérgio Majeski (PSDB), na sessão dessa segunda-feira (1), da Assembleia, na discussão sobre a pressão do governo do Estado para a aprovação do projeto Escola Viva. E como não associar a história ao que está acontecendo em relação à matéria no legislativo estadual?
Majeski parece mesmo o prisioneiro que deixou a caverna para ter contato com o mundo real. Saiu da discussão de mérito do projeto e foi conhecer a realidade das escolas do Estado. Fez nove audiências públicas sobre o tema, visitou escolas em vários municípios, tirou fotos, conversou com alunos, pais, professores e diretores.
Ele também voltou à Assembleia para alertar aos colegas sobre os absurdos da aprovação da matéria nas condições em que foi colocada, mas boa parte de seus colegas está há mais de 12 anos presos no comodismo de seus mandatos e parte dos novatos também já se amarrou por conta própria a essa posição de conveniência.
Dentro da Assembleia, os deputados estaduais acreditam naquilo que lhes é apresentado pelas mãos do governo do Estado. Seguem cegamente o que é determinado pelo Palácio Anchieta. Ao tentar discutir a questão, como deputado eleito pela população e a ela deve satisfação, o governo tenta desqualificar o deputado Majeski, afirmando que suas atitudes vêm da inexperiência parlamentar.
Mas essa situação não pode ficar para sempre abafada. Uma hora os deputados vão ter de deixar sua zona de conforto e a cobrança virá para eles e não para o governo.
Como dizia o lema da série Arquivo X: A verdade está lá fora!
Fragmentos:
1 – Como não poderia deixar de ser, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) usou as redes sociais para comentar a publicação no Diário Oficial do Estado do balanço orçamentário, relativo ao primeiro quadrimestre de 2015.
2 – Para o socialista, o balanço mostra que o resultado desmonta de vez a farsa que o atual governador vem tentando sustentar, de que seu governo desorganizou o Estado. O relatório mostra que o governo tem uma “disponibilidade de caixa” de R$ 2,5 bilhões.
3 –“Incapaz de se adaptar a uma sociedade que não aceita mais a arrogância e o autoritarismo, o atual governo destrói as conquistas que alcançamos juntos nos últimos quatro anos”, alfinetou Casagrande.

