Mais uma vez, a sombra negra do fundamentalismo cristão assombra o cenário político brasileiro, ameaçando conquistas e se impondo a custa de chantagens e coações. O deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), ficha suja por excelência e representante do que há de pior no legislativo, assumiu a presidência da Câmara dos Deputados.
Para a democracia, o perigo de entraves a projetos que prometem avançar com a construção de um país mais justo e equânime, como a reforma política e a regulamentação da mídia. Para os direitos humanos, uma forte dose de machismo, homofobia e ameaças à diversidade religiosa. Ou seja, a expressão do oportunismo e da demagogia, frequentes numa bancada que desrespeita a própria constituição, que legisla em causa própria, sempre procurando se perpetuar em privilégios e falcatruas.
Isso é o que busca a direita, onde se apoia, onde faz seus conchavos. Os resquícios do coronelismo machista, que se ressente de mulheres em altos cargos nacionais, administrativos e políticos, que deseduca para manter o cabresto. Cabresto hoje muito usado por pastores candidatos nas sua igrejas, denominações religiosas criadas com o intuito de enriquecimento ilícito e base eleitoreira.
O objetivo? Atualmente acabar com o sonho do “Petróleo é nosso”. A estratégia? Privatizar a Petrobras e americanizar o pré-sal, vendendo nossas riquezas a preço de bananas, a exemplo do que foi feito com a Vale.
Golpe político? Evidente. A tomada do poder pela calúnia e domínio, sangrando políticos adversários, fazendo alianças espúrias, criando clima para impeachment e tomando instituições como reféns.
O Brasil tem histórico nesse ardil. A manutenção de privilégios inclui determinar o próprio salário, conquistar ganho como auxílios paletós, moradias etc. Conquistar verbas para passagens e estadas de acompanhantes, trocar de celular, encher o taque, superfaturar, arrecadar propinas e um sem número de lícitos.
A classe legislativa (e até a jurídica, quando usa a toga para subverter a ordem) perde sua moral perante o povo, mas pouco se importa com isso. As instituições democráticas se revezam em protestos estéreis. Enquanto parcelas socialmente oprimidas, se manifestam, buscando o reconhecimento civil, lutando contra a falsa moral de uma ácida e corrosiva mistura: religião e política.
O que dizer das chamadas “casas do povo”, em todas as esferas, quando a maioria de seus membros são urubus farejando a carniça, onde lacraias e escorpiões, com livros pretos debaixo dos braços são eleitas em nome de “Deus”. Onde uma hiena sorridente se diverte com o escracho homofóbico televisivo.
É… 2015 nem bem começou e já tem malandro articulando 2016. Está tenso! E vem carnaval por aí. Muito cuidado! Tem ficha suja orando para que as trevas obscureçam o Congresso. Pobre de ti Constituição Federal.
Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil”, pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

