A manifestação das Centrais Sindicais contra a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de lei (PL 4330/2003), que regulamenta a terceirização, universalizando a prática para todas as empresas em Vitória, teve confronto com a polícia e revelou mais uma vez a política da bala de borracha do governo do Estado.
Essa dinâmica que existiu nos governos anteriores de Paulo Hartung (PMDB) contra estudantes que se manifestavam contra a passagem dos ônibus, passou também no governo Renato Casagrande (PSB), e continua viva neste terceiro mandato de Hartung.
Se por um lado o governo imprimiu um corte de 20% em toda a estrutura do governo, inclusive na área da segurança, não está disposto a economizar nas medidas de controle de manifestações com o uso da força. A desculpa é sempre a mesma: os manifestantes é que começaram, jogando pedras na polícia.
Mas foi a polícia quem tentou usar o aparelho do Estado para desobstruir as vias, atirando, ainda que do outro lado, o que não deixa de ser tiro. A justificativa também foi a de sempre: garantir o direito de ir e vir do cidadão. De qualquer forma, esse foi o primeiro confronto entre a sociedade civil organizada e o governo Paulo Hartung.
Ficou o recado de que a forma de diálogo com quem quiser se manifestar nos próximos quatro anos não será diferente da que foi no governo Renato Casagrande. A sorte, desta vez, é que o movimento sindical do Espírito Santo anda bem esvaziado, não é de hoje. Como a manifestação era pequena na concentração próxima da Rodoviária de Vitória, apesar de intenso, o confronto não se estendeu e houve acordo para que o protesto seguisse por uma via em passeata.
Mas se houver outro movimento, como o Passe Livre, já dá para perceber que o enfrentamento vai ser duro. Bom, para um governo que em cem dias ainda não organizou sua política de Direitos Humanos, o que esperar, não é?
Fragmentos:
1 – A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira (15) 28 destaques de emendas ao projeto da terceirização. A presidente Dilma Rousseff já manifestou a posição de vetar o projeto.
2 – Os manifestantes levaram para o ato cartazes com os membros da bancada capixaba que votaram a favor do projeto. Apenas os dois parlamentares do PT – Givaldo Vieira e Helder Salomão – votaram de forma contrária e o deputado Max Filho (PSDB) não estava na sessão.
3 – E por falar em Max Filho, ele participa de uma discussão na Assembleia ao lado do presidente da Comissão Especial da Reforma Política na Câmara dos Deputados, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre o tema. Será nesta sexta-feira (17), às 10 horas.