
As movimentações da presidenciável Marina Silva (PSB) expõem as contradições entre discurso e prática no campo eleitoral. No Estado, os “marineiros” apresentaram questões que se diziam ideológicas para justificar a decisão de não apoiar nenhuma candidatura majoritária, deixando livres aqueles que quisessem se unir ao governador Renato Casagrande. As principais: criminalização aos movimentos sociais e a política ambiental – uma referência principalmente ao candidato ao Senado na chapa socialista, o ex-prefeito Neucimar Fraga (PV), envolvido na polêmica do PDM de Vila Velha. Pois bem. Com trajetória de defensora ambiental, a ex-senadora tem como vice Beto Albuquerque (PSB), ligado à bancada ruralista do Congresso, e já participou, dias desses, de jantar para se aproximar dos representantes do agronegócio. Mantém ainda relações próximas com representantes de setores que sempre criticou e, no ano passado, causou decepção geral ao tentar minimizar as críticas ao pastor homofóbico Marcos Feliciano (PSC), após protestos das principais entidades sociais do País contra a eleição dele à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Final da história: quando estão em jogo interesses políticos, princípios ideológicos são apenas meros detalhes. Uma “nova política” é possível?
Lados opostos
Por conta de tamanha divergência, Beto e Marina já se estranharam no passado. Quando ministra do Meio Ambiente, ela criticou a iniciativa do agora seu candidato a vice, de liberar a soja transgênica no País. Foi da bancada ruralista, também, de onde saíram os principais financiadores de campanha do deputado federal. Inclusive de setores vetados – indústria do tabaco, armamento e agronegócio – no estatuto da Rede.
Acabou?
Também é motivo de críticas a Marina sua relação com a herdeira do Itaú Unibanco, Neca Setúbal, que coordena a campanha da ex-senadora, e com o empresário Guilherme Leal, da Natura. O assunto foi levantado no debate da TV Bandeirantes, quando Marina disse não ter preconceito financeiro e social – está aí uma nova contradição.
Mais
Vale lembrar, também, que em visita ao Estado, ainda ao lado de Eduardo Campos, Marina não só ignorou a questão levantada pela Rede daqui em relação a Neucimar, como fez questão de elogiá-lo, a ponto de comparar as duas trajetórias de vida. Política ou ideologia?
Incomodou
Resumo do primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado, na noite dessa quinta-feira (28), na TV Capixaba:
Já viu esse filme
O discurso repetido por Hartung nesta eleição, de que seu governo terá bandeira voltada para a educação, fez com que o artista plástico Kleber Galvêas recordasse da primeira declaração de Hartung ao ser eleito, de que se dedicaria à área, e o desfecho da história. “Senhor governador, testemunhei a sua ação predatória quanto à cultura e educação”. Para Galvêas, gestão passada foi uma farsa.
Já viu esse filme II
Em artigo de 2006, Kleber já dizia: “paga baixos salários; são poucos os concursados; os mais preparados deixando a profissão; trabalho no turno da manhã, tarde e noite; professores sem horários de planejamento; administração engessada, incapaz de remanejar professores em benefício do sistema educacional; não realiza encontros e reciclagem; as instalações são insuficientes e muitas delas inadequadas; o número de professores precisando ser multiplicado e melhor qualificado; insegurança dentro e fora das escolas.
Borracha
Jingle do candidato do PT ao governo, Roberto Carlos, na propaganda eleitoral da TV: “eu nunca vi, eu quero ver, no governo um companheiro do PT”. Ué, e Vitor Buaiz?
Encontro
Na manhã desta sexta-feira (29), em padaria localizada próxima à Delegacia de Homicídios, no Barro Vermelho, Vitória, o candidato a deputado federal, Capitão Assumção (PRB), conversava com um grupo de policiais civis. Precisa dizer o assunto?
Despedida
Para fechar o triste mês de agosto, a deputada federal Iriny Lopes (PT) comunica o falecimento de sua mãe, Dona Wanda. “As marcas que ela deixa são a coragem e a solidariedade”. Meus sentimentos.
140 toques
“Essa Vivo está deixando todo mundo na mão”. (Deputado estadual Marcelo Santos – PMDB – no Twitter).
PENSAMENTO:
“Toda coerência é, no mínimo, suspeita”. Nelson Rodrigues

