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Pontes sentiu o contragolpe

O todo-poderoso do Ministério Público Estadual acusou o contragolpe que recebeu da Assembleia Legislativa esta semana. A polêmica se iniciou quando o presidente da Casa, deputado Theodorico Ferraço (DEM), foi interpelado pelo órgão ministerial para apresentar, em dez dias, informações sobre mais de uma centena de servidores. Pairava a suspeita de que os tais servidores estariam trabalhando fora dos gabinetes como cabos eleitorais dos deputados.
 
O pedido irritou os parlamentares. Num primeiro momento, Ferraço pediu mais tempo para responder a solicitação. Enquanto ganhava tempo, o deputado, determinado em proteger a honra da Casa, armou um duro contra-ataque para pegar o procurador-geral.
 
Se valendo do mesmo expediente do MPES, a Assembleia ameaçou pedir uma auditoria ao Tribunal de Contas para analisar, tim tim por tim tim, como o MP vem gastando seu orçamento de mais de R$ 330 milhões anuais, principalmente os gastos referentes aos chamados “penduricalhos”. Além da auditoria, até uma CPI para investigar os gastos do órgão ministerial passou a ser cogitada. 
 
Se a estratégia do Legislativo era causar pânico em Pontes, deu certo. O procurador-geral recorreu à imprensa para desfazer publicamente o imbróglio com a Assembleia. Em reportagem de destaque nesta quinta-feira (5), no jornal de maior circulação no Estado (A Tribuna), Eder Pontes garantiu que não há “caça às bruxas”. Disse mais, para aliviar o peso do pedido, tentou dizer que esse tipo de solicitação é comum. Conta outra. Quer dizer que é comum o MP identificar, em ano eleitoral, quais são os deputados que estão desviando seus servidores para a função de cabos eleitorais?
 
Na verdade, o chefe do MP, intimidado com a devassa prometida pelo Legislativo, se apressou em tremular a bandeira branca para os parlamentares, antes que as ameaças fossem cumpridas. 
 
Pontes,que reivindica para si o papel de xerifão da moralidade, não se atentou que à frente da Assembleia há também um coronel valentão, tão ou mais corporativista que ele. 
 
Eder Pontes, depois de engavetar as acusações contra o presidente da Assembleia no episódio da Derrama, achava que tinha o deputado em suas mãos. 
 
No entrevero que se formou entre as duas instituições, Ferraço, espertamente, tem ficado na miúda. Essa discrição de Ferraço talvez tenha confundido o chefe do MP, que subjugou o presidente da Assembleia. Mal sabe Eder que é ele quem comanda todas as jogadas. Mas, para todos os efeitos, credita as ações no campo institucional, tirando a pessoalidade dos ataques. 
 
O recuo estratégico sinaliza que o chefe do MP começou a entender que os xerifões também estão sujeitos a uma jurisdição. 
 
Pelo menos neste episódio, Ferraço, que costuma cavar o poço antes mesmo de sentir sede, pegou Pontes no contrapé. 

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