O País vive um momento de rejeição a políticas de diminuição de desigualdades e de entrega do comando do País ao um grupo mais elitista. O governador Paulo Hartung (PMDB) parece ter entendido esse recado dos meios políticos e deixa transparecer sua movimentação mais à direita. É verdade que Hartung nunca foi um político do “povão”.
Seus hábitos requintados não são de um político que sobe morro, bebe café no copo americano, beija criança. Há uma visível tentativa de se aproximar do eleitor baixa-renda no período de campanha, mas no dia a dia o governador prefere os coquetéis e festinhas em petit comitê e as palestras para empresários.
Talvez seja a essa turma que Hartung tenta agradar ao deixar claro que não tem relação alguma com a campanha de Amaro Neto, um candidato que agrada à periferia. Tentando se apresentar para a opinião pública nacional mais conservadora do que nunca, Hartung não quer ser visto como o candidato que apoia um político popular.
Hartung é um político requintado, educado, que defende a parceria público-privada, a intenacionalização da economia, o estudo em tempo integral e o fim da Educação de Jovens e Adultos, o corte no funcionalismo, e mais incentivos fiscais para as grandes empresas. Atende perfeitamente a essa nova linha política que vem sendo defendida no País.
Quando tenta se desvincular de um candidato que ele mesmo incentivou a disputar as eleições em Vitória, está querendo apagar sua marca do palanque de Amaro para provar à classe política e à opinião pública que não tem nada a ver com a criação do postulante a prefeito do Solidariedade.
Faz isso para fora do Estado. Todos os esforços do governador agora são para que sua imagem em nível nacional seja colocada como a de um grande gestor que cuida da economia capixaba da forma que a classe empresarial espera.
Fragmentos:
1 – O deputado federal Carlos Mannato está se tornando um problema na campanha do deputado estadual Amaro Neto (SD) à prefeitura de Vitória. Presidente do Solidariedade, Mannato tem de entender que a disputa na Capital é mais importante que suas acomodações futuras.
2 – A marqueteira Jane Mary sempre teve uma conduta profissional elogiada. Dificilmente ela vai transformar o trabalho contratado pelo prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), como instrumento de vingança contra o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), seu ex-cliente.
3 – Aliás, se o grupo do redista acredita que por meio de Jane vai conseguir informações para destruir o adversário, a estratégia é errada de saída. O que ela pode ajudar bastante é a suavizar a imagem do prefeito em uma disputa dura com o pedetista.

