Esse ano até o inverno resolveu passar férias em Miami. Com inesperadas quedas de temperatura, nada melhor que uma clássica comédia romântica no aconchego do sofá da sala. O filme pode ser Mystic Pizza, com Julia Roberts, e para combinar, pode-se apelar para um disk pizza. Sempre lembrando que os entregadores trabalham em seus próprios carros e precisam da gorjeta. Enquanto isso, outra Julia, minha neta, congela com temperaturas abaixo de zero na Universidade de Boston, onde escolheu se preparar para a vida.
Bem longe daqui no tempo e no espaço, lá pelos 600 AC , a Cidade de Nápoles foi fundada. Mas não era italiana, e sim um estado grego independente. Ao seu redor se desenvolveu uma imensa população pobre, gente que precisava ser criativa para alimentar as sempre numerosas famílias. E assim inventaram a pizza – pães chatos que podiam ser consumidos a qualquer hora e com o que se tivesse disponível para jogar em cima. E o que eles tinham em abundância era tomate, queijo, azeite, azeitona…
Quando o rei Humberto I unificou a Itália foi visitar Nãpoles, agora italiana, com a rainha Margherita. Diz a lenda que, cansados da sofisticada cozinha francesa de todo dia, o casal resolveu experimentar as populares pizzas da cidade. A escolhida foi a Pizzeria Brandi, que funciona até hoje mas com outro nome – Da Prieto. A pizza que a rainha gostou mais foi a de queijo branco, tomates vermelhos e verdes folhas de manjericão – não por coincidência as cores da nova bandeira italiana. E a pizza foi batizada de Marguerita.
Fico feliz em saber que minha pizza favorita tem origem tão nobre. A visita real elevou a pizza a nível de alta cozinha, e quem fosse a Nápoles tinha por obrigação experimentar, como ir a Roma e ver o papa. A pizza já era consumida pelos egípcios, gregos e romanos, mas até 1940 era pouco conhecida fora dos limites de Nápoles. Até que os imigrantes napolitanos em Nova Iorque e em outras cidades americanas a trouxeram para o Novo Mundo.
A novidade depressa ultrapassou os limites das colônias de imigrantes, virando mania nacional. A primeira pizzaria americana foi a G.Lombardi, estabelecida em 1905 na First Street, em Manhatam. Antes era prato caseiro ou vendido informalmente nas ruas. E foi de Nova York que ela se espalhou pelo mundo, até na Itália. “Como a calça jeans e o rock and roll, até os italianos comem pizza porque ela é ‘americana’”, garante um historiador, que enumerando as variações pelo mundo, cita a adição de ovos cozidos nos recheios na versão brasileira.
As cadeias americanas Domino’s e Pizza Hut se espalham por 60 países. No entanto, cá entre nós, suas pizzas não se comparam às nossas – muito queijo e pouco molho – pelo menos para o gosto brasileiro. Mas admito, a ala jovem da família prefere a pizza americana – pouco queijo e muito molho. Pena que não temos a habilidade de levar o que é nosso para o resto do mundo, mesmo em sendo melhor. Perto de casa tem a Little Ceaser, que não nos deixa com fome: tem sempre pizza pronta, a qualquer hora, a $ 5.00, tamanho grande. Queijo? Só o cheirinho…

