Se as eleições presidenciais no Espírito Santo apontarem Dilma Roussef como vitoriosa neste domingo (26), o resultado não deve ser atribuído ao PT capixaba e muito menos ao PDT, do ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, que coligou-se com o PT. Deixaram, desde o inicio, a sua candidatura ao sabor do vento. Se Dilma levar, será certamente por causa do seu desempenho nacional.
Diferente da candidatura do tucano Aécio Neves, que reuniu a mais forte lideranças políticas do Estado, a partir do segundo turno, principalmente, porquue no primeiro turno, a inesperada candidatura da Marina Silva (PSB) conturbou as campanhas de Dilma e de Aécio, levando maior perda para o tucano.
Aqui no Espírito Santo, Marina haveria de fluir com maior facilidade, pois ela vinha do recal das eleições de 2010, quando disputou pelo PV a Presidência da República e teve por aqui uma impressionante e surpreendente votação.
Marina provocou no Estado recuos, principalmente nas áreas que se comprometiam com a candidatura do Aécio. Atraiu, a princípio, candidatos proporcionais dos mais diversos partidos e até majoritários, como foi o caso da então candidata ao Senado pelo PMDB, Rose de Freitas, que veio a ser a eleita.
Criou, nessa fase eleitoral, o efeito de uma barata enorme voando, quando todos fogem, junto àqueles que já haviam assumido a candidatura de Aécio. Com destaque para o então candidato do PMDB, Paulo Hartung, que acabou vencendo as eleições.
Como a candidatura de Marina foi produzida por uma tragédia – a morte do então candidato do PSB ao governo, Eduardo Campos -, quem se aproveitou dessa fatalidade foi o então candidato ao governo do Estado pelo PSB, o governador Renato Casagrande.
Mas que fez pouco uso da situação, pois já pegou Marina descendo da cabeceira do pleito, açoitada pelos ataques de Dilma e Aécio, tirando-a do páreo e proporcionando a retomada da disputa entre o tucano e a petista.
A passagem de Aécio para o segundo turno acabou reunindo gregos e troianos: Paulo Hartung, Renato Casagrande, Luciano Rezende, Luiz Paulo Vellozo Lucas e uma tropa de candidatos proporcionais.
A candidatura da Dilma haveria de ser muito penalizada e com consequências que atingiram o segundo turno, por conta de um acordo feito por debaixo dos panos entre o candidato do PT ao Senado, João Coser, com o então candidato ao governo do PMDB, Paulo Hartung.
Este acordo resultou no próprio fracasso da candidatura do João Coser ao Senado (acabou ficando na terceira colocação, atrás de Rose de Freitas e do candidato do PV, Neucimar Fraga). Essa manobra para fazer de Coser o candidato ao Senado de Paulo Hartung foi o marco que veio a deixar a eleição da Dilma sem palanque no Espírito Santo, dependendo exclusivamente dela.
O PT reencontrou-se realmente com Dilma somente no segundo turno. A partir do momento em que a militância petista capixaba acordou e foi para as ruas, que eram ocupadas há muito tempo pelos aecistas. Se Dilma vencer no Estado, os méritos serão só dela. Já o PT capixaba, deixa prá lá…

