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Por trás da bomba

Parecia até Festa Junina, mas infelizmente eram bombas que cruzavam os céus de Vitória na noite dessa quinta-feira (4), em mais uma ação desastrosa contra os manifestantes, a polícia mostrou mais uma vez o despreparo e o caminho errado que o governo vem tomando em relação às demandas que vêm das ruas. 
 
A conversa com os manifestantes, na qual o governador Renato Casagrande não compareceu e sequer mandou o vice-governador Givaldo Vieira, poderia ter sido mais ampla, mais democrática e mais aberta. Mas o governo mandou seu representante apenas para falar do prejuízo de R$ 600 milhões que poderia gerar uma quebra de contrato com a concessionária da Terceira Ponte. 
 
O problema é que o governo esbarra nos R$ 620 milhões em renúncias fiscais só para o Sincades. O fato é  que algumas empresas que administram o consórcio da Rodosol são financiadoras de campanha. Por isso, os argumentos do governo não convencem os manifestantes. Como sempre acontece quando se perde o argumento, parte-se para a ignorância. 
 
Acreditando que a ocupação da Assembleia daria legitimidade para repressão ao movimento, o governo acionou seu único canal de “diálogo” com a população: a polícia. Uma verdadeira estratégia de guerra foi aramada para repreender o movimento. 
 
O governo conta ainda com um grande aliado nessa batalha: a imprensa. As manchetes dos jornais mostram a destruição da praça do pedágio, que pela manhã desta sexta-feira (5) a cobrança era normal, ou seja, nada de mais grave aconteceu. 
 
Mas talvez toda essa confusão pudesse ser evitada se o governo do Estado tivesse realmente disposto a negociar com os manifestantes, estivesse disposto a abrir as planilhas de arrecadação da praça de pedágio da Terceira Ponte, se não tivesse ingerido na Assembleia, de forma atropelada na discussão do projeto que propõe o fim do pedágio. 
 
Mais uma vez sem entender o processo que está em curso nas ruas, as instituições se uniram na ideia de que é preciso tomar providências contra os “vândalos”, os “criminosos infiltrados” no movimento. Não percebem as lideranças que foi justamente esse arranjo institucional que colocou em xeque todo o sistema que se acreditava representativo até hoje. 
 
Fragmentos:
 
1 – A polícia intimando lideranças pelos comentários na rede social parece uma nova roupagem de uma passagem muito triste da história brasileira. Tentar tomar câmera de quem estava trabalhando também é de algumas décadas atrás.  
 
2 – Sem falar que acusar manifestante de ter cortado o cabo de energia da ponte chega a ser chacota. Ou o serviço da empresa é de péssima qualidade que deixa os fios à mostra para qualquer um ou tem alguém mentindo. 
 
3 – Pela declaração dos deputados. De certo mesmo, Euclerio Sampaio (PDT) tem oito favoráveis ao seu projeto de Decreto Legislativo. O governo está ganhando.  

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