A sessão especial esta quarta-feira (9) na Assembleia Legislativa mostrou que atrás da vitrine reluzente do Escola Viva existe uma educação em franca deterioração. Na sessão proposta pelos deputados Enivaldo dos Anjos (PSD) e Sérgio Majeski (PSDB), o que se ouviu foi um comovente desabafo. Sobraram críticas à política educacional do governo do Estado, que vem fechando escolas indiscriminadamente, negligenciando a estrutura das unidades escolares e impondo o programa Escola Viva exclusivamente para atender à estratégia de marketing do governo.
Mesmo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), que até então vinha adotando um discurso mais condescendente à política educacional do governo, protestou contra o fechamento das unidades escolares. Jean Carlos Nunes, do Sindiupes, afirmou que o governo perde quando tenta impor o Escola Viva. Ele reclamou também que falta mais diálogo por parte do governo com a sociedade.
Majeski, que conheceu a realidade de 130 das cerca de 600 escolas estaduais, listou os principais problemas da rede. O deputado disse que faltam quadras, refeitórios, computadores, bibliotecas, quadros, ventiladores, mobiliários em geral. As imagens registradas durante as visitas do deputado, que foram exibidas na Assembleia, passam a sensação de que a lista não tem fim, tantas são as carências.
O deputado, mais uma vez, esclareceu que não tem nada contra o programa de escola em tempo integral. Ele explicou que sua crítica é contra a política do governo, que elegeu o Escola Viva como prioridade em detrimento da precariedade da maioria das escolas da rede. Majeski, sem rodeios, foi direto ao ponto. Disse que o Escola Viva é um programa “marqueteiro” e “politiqueiro”.
Durante toda a sessão, pais, alunos e professores não fizeram um único registro positivo à política educacional do governo. Todos os testemunhos, sem exceção, acabaram em críticas. Sinal de que as coisas não vão nada bem. Mas o fechamento de escolas e a forma autoritária com que o governo vem impondo o Escola Viva são, sem dúvidas, os dois pontos que mais incomodam a comunidade escolar. Tanto é que os protestos em curso no Estado foram motivados por esses dois problemas. Pais e alunos de Colatina, Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus e Vitória, lutam contra o fechamento das escolas, a imposição do Escola Viva ou as duas coisas.
A oportuna sessão especial da Assembleia deixa uma lição para o governador Paulo Hartung e para o secretário de Educação Haroldo Rocha. A comunidade escolar deixou claro que não engoliu o Escola Viva. Se o governo apostava na implantação da unidade piloto em São Pedro, Vitória, como estratégia para quebrar a resistência ao programa, se enganou. Assim como falhou o plano de tentar fechar escolas na surdina para pegar os alunos de surpresa em 2016.
Outra lição que fica para a dupla Hartung/Haroldo. Os alunos aprenderam rápido que a mobilização de resistência à reorganização do ensino em São Paulo – que também propõe o fechamento de escolas – funcionou bem demais. O governador Geraldo Alckmin foi obrigado a recuar depois de conhecer a força dos estudantes da pior maneira possível: com alunos ocupando escolas e tomando as ruas.
Na sessão especial, a prova dos nove confirmou que a comunidade escolar já sabe que o Escola Viva é um programa de vitrine concebido para encobrir as mazelas da educação, e que o fechamento de escolas é mais um golpe na já agonizante educação capixaba.

