Ao que tudo indica, os tucanos vão mesmo pousar no ninho da pomba. Mas o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) não parece preocupado com a chegada de seus aliados no palanque do governador Renato Casagrande. A identidade do peemedebista com o ninho tucano é muito grande e não há que se esperar por parte das lideranças do PSDB um ataque a Hartung.
Os tucanos sempre se elegeram pela mão do ex-governador, que foi sucedido na prefeitura de Vitória por Luiz Paulo Vellozo Lucas, provável candidato ao Senado no palanque de Casagrande. Outro tucano da cúpula, o deputado federal César Colnago, também ocupou posição de destaque no governo Hartung. Esteve à frente da toda poderosa Secretaria de Agricultura do Estado e depois na presidência da Assembleia Legislativa, também com uma ajudinha do governador.
No palanque de Casagrande, Luiz Paulo terá um só objetivo: rivalizar a eleição com o PT, independentemente de quem esteja disputando do outro lado. Isso não afeta o palanque de Hartung, enquanto os dois partidos estiverem preocupados um com o outro, sua campanha segue suave, sem qualquer tipo de enfrentamento.
O PT vive um processo de enfraquecimento desde que aderiu à unanimidade. O partido ganhou espaço no governo, elegeu deputados estaduais e federais, mas isso não significa necessariamente ter influência no jogo político do Estado. Em posição de fragilidade, o PT, que sempre foi uma dor de cabeça para os governadores, não tem condições hoje de erguer um palanque de oposição ao projeto político do qual fazem parte Casagrande, Hartung e o próprio PT.
Assim, Hartung fica livre para tentar atrair o cobiçado PDT, que tem um candidato a deputado federal pule de dez, Sérgio Vidigal. O pedetista tem voto e nenhuma pretensão majoritária.
Neste sentido, não é difícil prever que o ano será difícil para o PT, que tem pretensões muito mais altas do que condições de realizá-las. De outro lado, o PSDB terá de encarar uma eleição sem Hartung.
Fragmentos:
1 – O ex-prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi (PSDB) continua com o discurso de manter a candidatura ao governo, mas internamente ninguém mais acredita que o partido consiga levar à frente o projeto.
2 – Mais do que buscar uma acomodação para garantir a eleição de deputado federal, o ninho tucano precisa de um nome em condições de puxar o palanque de Aécio Neves no Estado.
3 – A candidatura de Balestrassi foi lançada ainda no ano passado, mas mesmo com as caminhadas do ex-prefeito pelo Estado, conversas com lideranças e até mesmo o polêmico programa eleitoral, a candidatura dele não decolou.

