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Povo? Que povo?

 
Para não ficar fora dos holofotes, a Assembleia Legislativa saiu na frente e criou uma comissão de representação para apurar a tragédia no rio Doce com o rompimento da barragem da Samarco/Vale em Mariana (MG). Aquele oba-oba sem fim, créditos para o presidente da Casa Theodorico Ferraço (DEM) pela iniciativa, reunião aqui, reunião acolá, até que não demora muito e os reais interesses começam a aparecer. No jornal A Gazeta desta terça-feira (17), palavras de Theodorico: “A Samarco também é vítima do ‘desastre’ ocorrido em Mariana”; “A mineradora não pode ser tratada como inimiga”; “Hoje a preocupação é resolver o problema e fazer a Samarco levantar a cabeça”. É nesse clima aí de gentileza, parceria e cumplicidade, que os deputados da mesma comissão – sete deles financiados pela empresa – irão se reunir com a diretoria da Samarco/Vale na tarde desta terça, exatamente no gabinete da presidência da Assembleia. Eles juram que irão cobrar da empresa respostas a questionamentos feitos na audiência pública que a comissão realizou em Baixo Guandu (noroeste do Estado) nessa segunda-feira (16). Mas, olha só, apesar da gravidade do caso, a reunião é fechada, imprensa não entra, muito menos a população. Quer dizer, Minas Gerais e Espírito Santo se acabando em lama e os deputados preocupados em evitar possíveis constrangimentos à Samarco/Vale. A tal da máscara nunca dura muito tempo. 
Algemado
A reunião secreta com a diretoria da Samarco/Vale, aliás, rendeu críticas dentro do próprio legislativo. Na sessão desta terça, o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) disse que faz questão de participar, para “olhar na cara do presidente da Samarco, Ricardo Vescovi” – se é que ele vai aparecer – e  tratá-lo “como criminoso e não autoridade”. Para Enivaldo, Vescovi deveria ir para a Assembleia algemado.

 
Na noite dessa terça-feira, a imprensa conseguiu acompanhar a reunião, por “livre e espontânea” pressão. O resultado do cerco que estava armado para trocar gentilezas com a Samarco/Vale acabou com dura intervenção do deputado Enivaldo. Leia: Diretores da Samarco passam por ‘saia justa’ em reunião na Assembleia

 
Apoio
O deputado também manifestou solidariedade ao protesto dessa segunda que saiu da Ufes e foi até a portaria da Vale, cobrando punição pela tragédia social e ambiental, além de denunciar a poluição do ar e violações das empresas do setor. “Fizeram o que o Estado e a polícia deveriam ter feito”, disparou, apontando a diferença de tratamento aos pequenos e às grandes empresas na aplicação de penalidades ambientais. 
Bandeira 
A propósito, a ex-deputada estadual Brice Bragato, que muito militou no PSOL contra as poluidoras do Estado e está fora do circuito já há algum tempo, fez questão de participar do protesto. De bicicleta, acompanhou todo o percurso. 
Presente
Estava demorando a aparecer um “acordão” com a Samarco/Vale selado pelo Ministério Público. Muita concessão e nada de punição. Ou seja, tudo dentro da normalidade. 
Oportunismo
A propósito, agora resolveram ressuscitar a Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce), que nunca serviu para absolutamente nada? Tanto do lado do parlamentares de Minas quanto do Estado, o único interesse sempre foi jogar para plateia.  
Carona
Como ninguém quer perder esse bonde, os vereadores de Vila Velha também resolveram “molhar o bico” na sessão dessa segunda-feira e falaram sobre a tragédia em Mariana (MG).
Sem manutenção
Quase dois meses depois de a sociedade civil colocar a boca no trombone, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), resolveu reformar o deque de madeira onde são oferecidas aulas do Serviço de Orientação ao Exercício Físico (Soe) da Praia de Camburi. Deixou chegar ao limite. O deque estava mal conservado, com tablado cedendo, e pregos expostos. 
Mais
O vereador Marcelão (PT) denunciou em seu Facebook a situação da escola municipal Paulo Reglus Neves Freire, em Inhanguetá. Não há qualquer climatização, o que considerou descaso da gestão de Luciano Rezende. O petista disse que já enviou vários ofícios à prefeitura reivindicando ar condicionado, e nada. “Só de entrar o suor escorre”. Fora a estrutura antiga, etc. e tal. Ele acusa a prefeitura de “empurrar os problemas com a barriga”.
Nas redes
“Indignados com a poluição e destruição do Rio Doce, promovidos pela empresa Vale/Samarco, alunos e professores da Escola “Prof. Fernando Duarte Rebelo” realizaram na tarde de ontem [segunda], aos arredores da Praça do Cauê e no cruzamento da Reta da Penha, em Vitória, um “ato cívico em prol da bacia hidrográfica do Rio Doce”. (Ninja ES – no Facebook).
 
PENSAMENTO:
“Político honesto é o que, depois de comprado, permanece comprado”. Simon Cameron

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