Antes mesmo de acabar a semana, a possibilidade de expulsão do deputado federal Sérgio Vidigal do PDT, que vinha sendo dada como certa, já dá sinais de que não passa de uma ameaça. Com a possibilidade de perder seis deputados, diminuindo assim sua representatividade, o partido, até o dia 30 de maio pode voltar atrás.
É claro que expulsar uma liderança política da importância de Sérgio Vidigal, o deputado federal mais bem votado do Espírito Santo em 2014, liderança do partido há quase 30 anos, não é algo que se pode aceitar naturalmente. Mas dadas as devidas proporções, a movimentação do partido, assim como a do PP, que pelo outro lado havia indicado a votação em favor do impeachment e ameaça expulsar quem votou contra, seria uma demonstração de que a política partidária ainda não morreu.
Com 35 siglas vigentes, muitas delas de ocasião, a crise partidária é muito forte. A política de coalizão que adveio com o governo Lula prejudicou muito a política partidária. O sistema eleitoral, que permite o troca-troca de partidos e as brechas que sempre garantem as acomodações das lideranças também não ajudam em nada no fortalecimento dos ideais de um partido.
É claro que o PDT estava protegendo o seu quinhão no governo Dilma, mas poderia ter pulado fora do barco, como outros fizeram, caso, por exemplo. do PSD de Kassab, que ganhou mais do que queria e no fim das contas virou as costas para o governo. O PDT, que teria até um nome em condições de disputar a eleição em 2018, afinal Ciro Gomes tem cerca de 10% do eleitorado, preferiu ficar na base e orientou sua bancada votar contra o impeachment.
Bancada obedece, é assim que funciona e quem não está satisfeito, paciência. O sistema é assim e todo mundo sabe a regra. Vidigal merece respeito pelos seu tempo de militância e por sua importância para a história política, sobretudo, para o município da Serra, mas que a puxada de orelha da nacional do PDT serviu para rediscutir o papel dos partidos no País, isso serviu.

