Se soubessem o que aconteceria em Brasília e no Rio de Janeiro, nas residências do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de dois ministros, talvez o governador Paulo Hartung e o deputado federal Lelo Coimbra, assim como o senador Ricardo Ferraço tivessem mais cautela nas suas palavras.
Certos de que o trem do governo federal estava descarrilado, Lelo Coimbra disse nessa segunda que o PMDB tem de sair do governo e que vai apoiar o rompimento com a presidente Dilma Rousseff. O governador Paulo Hartung denunciou o golpe – não o golpe na presidente, mas o golpe da movimentação do vice-presidente Michel Temer –, e foi defender o impeachment.
O senador Ricardo Ferraço já vinha falando há muito tempo sobre isso. É um dos mais inflamados nos ataques ao governo federal. Sua encruada migração para o PSDB lhe dá lastro para isso. Mas ele ainda está no PMDB e o partido vinha dividido, todos acreditando, porém, que passariam ao largo de toda essa situação. Não passaram.
Mas a coisa mudou. Aliás, o encolhimento das manifestações a favor do impeachment deveria ter servido de aviso. O fato é que nesta terça-feira não se fala em outra coisa senão na operação da Policia Federal. O golpe na cúpula do PMDB respinga em todo mundo. Não tem jeito de o PMDB sair limpo dessa situação e a opinião pública vai pesar nesse caso, sim.
Logo Paulo Hartung que sempre avaliou todas as possibilidades de falha em seus planos, que nunca dá passo em falso, se precipitou. Apontou o dedo para Dilma sem saber que a coisa mudaria e que o alvo hoje seria Eduardo Cunha. Ficou ruim para o PMDB nacional e ficou ruim também para as lideranças peemedebistas capixabas.
Fragmentos:
1 – Os filiados do PDT de Vila Velha não estão nada satisfeitos com a cúpula do partido. Querem a impugnação do vereador Almir Neres e também não estão nada felizes com o deputado Euclério Sampaio.
2 – O deputado federal Paulo Foletto (PSB) participou nessa segunda-feira (14) de um seminário do partido para discutir um plano de governo para o município de Colatina. O parlamentar pode encabeçar uma chapa para a sucessão municipal em 2016.
3 – Diante da movimentação dos estudantes, o governo pisou no freio na implantação do Escola Viva, em São Mateus, no norte do Estado. Agora o foco é em Ecoporanga.

