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?? preciso fiscalizar os fiscais

Já passou da hora de os tribunais de contas dos estados serem fiscalizados por um órgão independente de controle, nos moldes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em outras palavras: é preciso que os fiscais também sejam fiscalizados. 
 
A ideia de se instituir um Conselho Nacional dos Tribunais de Contas (CNTC) será discutida no 27º Congresso dos Tribunais de Contas do Brasil, que acontece no início de dezembro (3 a 6), em Vitória. Os dois idealizadores da proposta, o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) e o senador Wellington Dias (PT-PI), já confirmaram presença no debate.
 
Delgado e Dias querem mostrar por que a discussão em torno da criação de um órgão de controle é pertinente para todos os TCEs. O fato de a discussão acontecer no Espírito Santo não poderia ser mais oportuno para o atual momento que atravessa o TC capixaba. 
 
O órgão, que tem um histórico de denúncias de irregularidades envolvendo alguns de seus membros, voltou ganhar espaço na mídia após a Assembleia Legislativa eleger o ex-deputado Sérgio Borges conselheiro da cortes de contas. 
 
Nem bem a polêmica em torno do nome de Borges esfriou, na semana passada já havia um novo caso, desta vez envolvendo o conselheiro José Antônio Pimentel. 
 
Se houvesse um órgão externo de controle, muito provavelmente, os casos de Borges e Pimentel acabariam parando nas mãos deste conselho. Os conselheiros nacionais, por exemplo, teriam condições de avaliar se Borges, que teve a nomeação contestada em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPES) e de Contas (MPC), estaria ou não apto a ocupar um assento no tribunal. 
 
Na denúncia, Borges é acusado de não ter “reputação ilibada”, um dos requisitos apontados na legislação para assumir o cargo. Eles alegam que o ex-deputado foi condenado pelo desvio de diárias da Assembleia por órgão colegiado, o que deixaria sua ficha “suja”. O problema é que não há consenso sobre a aplicação da legislação eleitoral na escolha dos conselheiros de contas. São questões no mínimo polêmicas.
 
Quanto a Pimentel, o conselheiro foi alvo de uma ação civil pública ajuizada pelo MPE, no início deste mês, por conta do recebimento de R$ 20 mil na distribuição de dinheiro em operação supostamente fraudulenta de créditos fiscais entre a Samarco Mineração e a Escelsa. 
 
O órgão de controle, se já existisse, conforme sugere o texto da proposta, poderia não só fiscalizar as atividades dos tribunais estaduais e da União, mas principalmente a conduta de seus membros. O CNTC poderia também unificar procedimentos e abrir investigações contra conselheiros de Contas.
 
Atualmente, os conselheiros somente podem responder judicialmente por eventuais fraudes, como ocorreu nos casos dos ex-conselheiros aposentados Marcos Madureira e Umberto Messias.
 
É verdade que a função de fiscalizar o tribunal estadual cabe à Assembleia. Mas é notório que hoje esse trabalho de fiscalização do Legislativo é meramente protocolar, burocrático. Não existe um trabalho sistemático da Assembleia para fiscalizar as atividades do tribunal, tampouco de seus sete conselheiros. 
 
Quando o CNJ passou a funcionar em 2005, muita gente comemorou, mas muita gente também, sobretudo a magistratura, torceu o nariz para a Emenda 45/2004, que instituía o Conselho. 
 
Depois que passou a viger, no entanto, até magistrados mais conservadores, que viam a criação do órgão de controle com reservas, admitiram avanços. Muitos concluíram que o CNJ deu transparência ao trabalho do Poder Judiciário. O órgão de controle mostrou que dos três poderes, o Judiciário era o menos corrupto. 
 
A experiência positiva do CNJ é mais um argumento em favor da criação urgente de um órgão de controle para fiscalizar os fiscais. 

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