Ao lançar sua candidatura ao governo do Estado na convenção do PMDB, o ex-governador Paulo Hartung se disse movido pela percepção de que o Espírito Santo havia “saindo do rumo”, que a casa que ele disse ter deixado arrumada, não está mais. Que o projeto do atual governo é totalmente diferente do seu, que não houve continuidade.
Disse ainda que aquele não era o desejo dele e nem da família, fez questão de repetir isso. Mas não convence o mercado político. Para as lideranças e observadores, a disputa de 2014 tem um gosto de revanche de 2010. Naquele ano, por causa de uma manobra nacional, envolvendo a retirada da candidatura a presidente de Ciro Gomes, o PT-PMDB apoiou seis candidaturas ao governo do PSB no Brasil, entre elas a de Renato Casagrande, no Espírito Santo.
Para isso foi feito um rearranjo, que retirou o então candidato ao governo, Ricardo Ferraço (PMDB) do caminho, que disputou o Senado e Renato o governo. Hartung anunciou a mudança com cara de quem comeu e não gostou. Muita gente pensou: “Isso não vai ficar assim”. E pelo jeito não ficou mesmo.
Para a eleição deste ano, Casagrande tentou manter a unanimidade criada por Hartung e mantida por ele. Mas o preço que o ex-governador teria colocado na mesa para não disputar foi alto demais, impossível de ser pago por Casagrande. Além da vice, Hartung teria exigido 13 secretarias.
O primeiro mandato do socialista que fora dividido com o peemedebista teria de ser ampliado, Hartung tomaria o poder de dentro para fora. O governador não aceitou e agora terá que enfrentar Hartung na eleição. Será uma disputa forte e nas primeiras movimentações, o peemedebista tem mostrado uma estratégia mais inteligente que a do governador.
Casagrande reuniu o apoio dos prefeitos, Hartung pegou os ex-prefeitos derrotados em 2012. Com as prefeituras em crise financeira, apoio de prefeito pode não ter o efeito que o governador esperava. Casagrande tentou demonstrar força reunindo 18 partidos em seu palanque, Hartung entendeu que o momento é de rejeição à classe política e terá um palanque esvaziado, sem ligar seu nome a políticos tradicionais.
Casagrande entra na provocação de Hartung e acaba discutindo com Lelo, enquanto Hartung segue com seu projeto de rebuscadas palavras em baixo do braço em silêncio e administrando vantagem. É hora do palaciano repensar a estratégia.
Fragmentos
1 – Com a candidatura de vereadores na disputa deste ano, a torcida maior é dos suplentes. Afinal, ganhar dois anos de mandato de mão-beijada não é todo dia. Mas a disputa está dura e muita gente vai continuar no legislativo municipal em 2015.
2 – A eleição de Tiririca para deputado federal em 2010 serviu de inspiração para uma série de candidatos “pitorescos” que vão disputar vagas na Assembleia e na Câmara. Será que pega?
3 – No Espírito Santo, o PSDB também tem Dilma. Dilma Pereira Rangel, que disputa a vaga de deputada estadual pelo ninho tucano. Com o nome de Aécio não tem ninguém.

