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?? procura de um culpado

O secretário de Segurança André Garcia mostra que foi um discípulo exemplar do seu padrinho político Rodney Miranda (DEM). Foi o então secretário de Segurança, hoje prefeito de Vila Velha, quem trouxe o amigo para o Espírito Santo e lhe ensinou algumas artimanhas para driblar o revés dos números da violência, sempre um incômodo para quem está à frente da pasta. Afinal, o Espírito Santo domina absoluto o ranking nacional de homicídios desde 2003, quando Rodney assumiu a Secretaria de Segurança.
 
O então secretário, que deixou o cargo sem ter conseguido reduzir em pelo menos 10% o índice de assassinatos no Estado, costumava recorrer a desculpas esfarrapadas para justificar as altas taxas. Na coleção de tiradas inverossímeis, Rodney soltava pérolas do tipo: “A criminalidade não aumentou, apenas a sensação da violência”; “O calor e o carnaval aumentaram o número de homicídios”, disse, no início de 2009, após janeiro registrar o maior pico de homicídios do governo Paulo Hartung (2003 – 2010), com quase 200 mortes em um único mês. 
 
Quando deixou a pasta, em março de 2010, para se candidatar a deputado estadual – passando a bola para o então subsecretário André Garcia, Rodney nem corou ao avaliar sua gestão: “Saio com a sensação de dever cumprido”. Como assim, com a segunda maior taxa de homicídios do País? 
 
Em março de 2010, ainda na despedida – já não podendo recorrer a sazonalidade do verão -, Rodney elegeu um novo vilão para explicar os altos números de homicídios: “O uso do crack é o maior responsável pela criminalidade em território capixaba”, vaticinou. 
 
Em reportagem publicada neste sábado (14), no jornal A Gazeta, os comandados de André Garcia, bem instruídos pelo secretário, voltaram a recorrer a fatores subjetivos para explicar os sete assassinatos ocorridos entre a noite de quinta-feira (12) e as primeiras horas da sexta (13). Para a polícia, as comemorações da vitória do Brasil, no jogo de abertura da Copa do Mundo, contribuíram para o aumento da violência. 
 
Esse tipo de discurso não é novidade. Em abril deste ano, durante a procissão do Domingos de Ramos, fiéis se depararam com o corpo de um jovem na Rodovia Serafim Derenzi, na Grande São Pedro, Vitória. O padre Kelder Brandão, estarrecido com a cena, interrompeu a procissão e realizou uma missa de corpo presente no local do crime. A repercussão do caso obrigou a polícia a se manifestar sobre o crime. Não fosse o padre celebrar a missa ao jovem assassinato em protesto à violência, o crime passaria incólume, como tantos outros que ocorrem todos os dias, sobretudo nos bairros mais pobres da Grande Vitória.
 
Mas, diante da repercussão, a preocupação da Secretaria de Segurança foi achar imediatamente um culpado para a tragédia. A polícia explicou que o pedreiro de 21 anos passara a noite bebendo num bar próximo ao local do crime, e que uma briga provocara a morte do jovem. Estava tudo explicado: a culpa era do boteco. Dedução lógica: quer dizer que se os botecos fossem fechados o número de assassinatos cairia consideravelmente? Mesma lógica do marido que flagra a mulher com o amante no sofá e decide jogar o sofá fora.
 
Recorrer a argumentos “fabricados” para tentar se esquivar da realidade da violência no Estado é subestimar a inteligência da população. O fato é que nem Hartung nem Casagrande conseguiram devolver a sensação de segurança à sociedade. O socialista, é preciso reconhecer, já fez muito mais em quatro anos pela segurança do que o antecessor em oito. Mas ainda é pouco para quem se comprometeu em cuidar pessoalmente da segurança. 
 
As eleições estão chegando é a segurança, com toda a certeza, será um dos temas transversais do debate politico. Seria produtivo para o debate se o governo deixasse as “desculpas” de lado e tratasse o tema com a seriedade que merece. Afinal, se o Brasil avançar na Copa até a final, teremos mais seis jogos pela frente. Uma desculpa “perfeita” para justificar o aumento dos homicídios no mês de junho. 
 
 
 
 
 

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