Não quero parecer repetitivo, mas o momento político me impele a voltar a escrever sobre o deputado Sergio Majeski (PSDB). Ele repercutiu nas redes sociais a coluna que escrevi na semana passada. Não sei se ele concordou ou discordou do conteúdo da coluna, mas seu comentário deixou uma certeza: Majeski avisou que disputa o governo ou o Senado.
Como afirmei, ainda acho que ele deixou o cavalo passar selado ao não tentar impor sua candidatura no PSDB. Naquela altura, o vice-governador César Colnago e o prefeito de Vila Velha Max Filho ainda não se movimentavam como postulantes ao comando do partido, ou seja, as coisas ainda estavam indefinidas. Hoje a chance para Majeski reivindicar dentro do partido seu espaço como candidato ao governo ou Senado parece ter passado.
No atual contexto do partido, ninguém pode descartar a capacidade de articulação de Colnago, que está trabalhando forte para retomar o comando estadual da sigla. Se isso se confirmar, a tendência é que o PSDB continue encartado no projeto do governador Paulo Hartung (PMDB) e a chapa vencedora de 2014 – Hartung-Colnago – seja reeditada.
Essa configuração tira definitivamente Majeski dos planos do PSDB, que não tem como abrigar Hartung e Majeski no mesmo palanque. A saída para o deputado será buscar um novo partido disposto a encampar seu projeto ao governo ou ao Senado.
Quem deita os olhos sobre os números de uma pesquisa do Instituto GPP, publicada esta semana, percebe que o “novo”, o candidato da renovação, pode ser a bola da vez nas eleições de 2018. A pesquisa aponta o desgaste político dos partidos e, consequentemente, dos chamados políticos tradicionais. Não por acaso, os números castigam os partidos que estão no olho do furacão hoje na política nacional: PMDB, PT, PSDB e DEM, rejeitados por mais de 70% do eleitorado.
Essa ojeriza do eleitor a tudo que representa “mais do mesmo”, talvez explique o desempenho espetacular do prefeito de São Paulo João Dória. O tucano que se lançou outro dia na política, estrategicamente rompido com a imagem do político tradicional, em menos de um ano de mandato já é cotado para ser presidente do Brasil. Na pesquisa DataFolha publicada neste domingo (1) no jornal Folha de S. Paulo de intenção de voto para presidente, Dória já aparece em quarto, atrás de Lula, Bolsonaro e Marina Silva. Mas é sempre bom lembrar. Ele apareceu ontem na política.
Não que Majeski e Dória sejam da mesma matriz. Talvez as semelhanças não vão além do fato de os dois serem tucanos – situação que também pode ser transitória para ambos -, mas Majeski e Dória, cada um à sua maneira, representam o chamado “novo”. O prefeito paulistano na pele do empresário que decidiu aplicar seu sucesso empresarial na gestão da máquina pública; já o deputado com a trajetória de ter surgido em 2015 na Assembleia como um “ilustre desconhecido” que ganhou destaque fazendo o que se espera de um bom político: colocando os interesses do povo sempre em primeiro lugar. Aliás, essa fidelidade ao eleitor o lançou naturalmente no campo de oposição a PH. E hoje ele ocupa soberano esse espaço de principal opositor do governo.
Majeski pode ter deixado o cavalo passar selado no PSDB, mas isso necessariamente não diminui sua importância no processo político de 2018. Continuo apostando que a entrada de Majeski na disputa ao governo bagunça o tabuleiro eleitoral que PH vem armando com tanto zelo e cautela.
Mas qual partido hoje estaria disposto a acolher Majeski? Ele já andou flertando com a Rede do prefeito da Serra Audifax Barcelos. Pode até ser uma alternativa interessante para o perfil de Majeski, o grande problema é o próprio Audifax, que não é confiável. A classe política sabe que Audifax é mestre em fazer jogo duplo. Portanto, a Rede seria risco para Majeski.
Fora das mãos de PH, o PSB do ex-governador Renato Casagrande e o PPS do prefeito de Vitória Luciano Rezende são duas legendas que, em tese, poderiam abrigar Majeski. O problema no caso do PSB, é que Casagrande ainda não definiu seu projeto. Hoje ele está mais propenso a se apoiar na senadora Rose Freitas (PMDB), que só tem um caminho: disputar o governo. No PPS, a situação seria parecida para Majeski. Primeiramente o “dono do partido” terá que avaliar se o projeto de Majeski o beneficia, ou seja, o deputado também ficaria submetido aos planos de Luciano, que também demonstra estar mais inclinado, por ora, a apoiar a candidatura de Rose, numa eventual chapa com a peemedebista ao governo e Casagrande ao Senado.
Neste momento, o PV me parece o partido mais disposto a se moldar ao projeto de Majeski. O partido hoje está fora do arco de aliança de PH e as lideranças do partido também não parecem dispostas a transigir ao projeto palaciano. De longe, parece óbvio que o PV não pensaria duas vezes para entregar a chave do partido a Majeski, deixando nas mãos do deputado a decisão de escolher entre o governo e o Senado. Em outras palavras, o projeto do partido passaria a ser o projeto de Majeski. Entre as opções colocados, se tiver juízo, Majeski aposta suas fichas no PV.
De outro lado, para o PV, seria a chance de ganhar lugar de destaque no processo eleitoral de 2018. O partido teria o candidato legitimamente com o rótulo de “novo” e o único adversário declaradamente anti-PH.
Há quem inclua Rose como uma adversária duríssima para PH. Ninguém deve duvidar da Rose, ela pode sim endurecer a disputa, como já vem dando mostra nessa movimentação por espaço no interior com o governador, mas não radicalizaria como Majeski. Se tem um palanque que PH temeria enfrentar é o do Sergio Majeski.

