No período eleitoral, é comum vir à tona a discussão sobre as promessas de campanha, em que os candidatos garantem que vão fazer mundos e fundos se forem eleitos. Mas o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) é diferente. Acostumado a vencer por W.O., suas promessas de campanha não são feitas no palanque, mas no gabinete.
Hartung está prometendo que vai transformar um em presidente da Mesa Diretora da Assembleia, que vai transformar outro em deputado federal, sem problemas, que vai juntar todo mundo e vai garantir segurança para que todos disputem tranquilamente. Que vai cumprir os compromissos com PT, com PSDB, com PDT, com todo mundo.
Hartung já fez promessas no passado e não cumpriu. Já teve muita gente que caiu no canto da sereia e se arrependeu. Mas tem gente que não entendeu como funciona a articulação do ex-governador. Seu grupo é muito restrito e gira em torno da manutenção do poder em sua mão.
A escolha do presidente da Assembleia é um tópico que envolve muitos interesses. Os deputados que passaram pela cabeceira da Mesa Diretora do Legislativo no período do ex-governador tinham uma característica muito peculiar. Nenhum deles ousou ir de encontro ao interesse do Executivo.
Não se discutia a possibilidade de questionar os atos do governo, e projetos, como o Aquaviário, recentemente aprovado na Assembleia, jamais entrariam em discussão. Os deputados levaram a demanda ao Executivo e discutiram com o governo a possibilidade de retorno do modal, uma despesa que não levaria Hartung a sentar à mesa para discussão.
Quem apoiar Hartung deve entender que terá de fazer isso por uma convicção ou para evitar qualquer confronto. Acreditar que levará algo depois da eleição é ingenuidade. Se for interessante para seu projeto político, ele vai fazer. Se não for, já era.
Fragmentos:
1 – A deputada estadual Luzia Toledo (PMDB) conseguiu incluir, na Lei Orçamentária Anual (LOA), recursos para promover a regularização fundiária de áreas rurais e urbanas. De acordo com a parlamentar, há a necessidade de regularizar mais de 60% do território e 80% dos imóveis urbanos e rurais do Estado.
2 – Já o deputado Paulo Roberto, também PMDB, que tentou emplacar o pagamento dos 11,98% dos servidores da Assembleia Legislativo na peça orçamentária do próximo ano, teve a emenda rejeitada.
3 – Entre as difíceis tarefas do governador Renato Casagrande, a mais complicada talvez seja vender a imagem de seu presidenciável Eduardo Campos para o eleitor capixaba.

