Sexta, 17 Setembro 2021

Prova dos nove

 

A Operação Pixote, deflagrada em agosto deste ano pela Polícia Civil capixaba, resultou, até o momento, na prisão de 13 pessoas que estariam envolvidas em um esquema de corrupção instalado no Instituto de Atendimento Sócioeducativo do Espírito Santo (Iases) e na Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), responsável pela gestão de duas unidades estaduais de internação de adolescentes em conflito com a lei: Cariacica e Linhares. 
 
Sete acusados continuam detidos, entre eles, a ex-diretora-presidente do Iases, Silvana Gallina, e o fundador da Acadis, Gerardo Mondragón. Entretanto, as auditorias da Tribunal de Contas do Estado e da  Secretaria de Controle e Transparência (Secont) comprovam que pode ter mais gente envolvida no esquema. 
 
O inquérito do delegado Rodolfo Laterza, que coordenou a Pixote, já apontava indícios de envolvimento do deputado Josias Da Vitória (PDT) no esquema de corrupção montado no Iases. Da Vítória teria feito lobby em favor do ex-frei colombiano para torná-lo conhecido nos meios políticos. Entre as ações do deputado para promover Mondragón, até título de cidadão espírito-santense o parlamentar conseguiu. 
 
Mais tarde, como revelou Século Diário em 2011, as empresas da família do deputado fechariam quatro contratos com a Acadis Linhares como paga pelo empenho do deputado em tornar o anônimo colombiano em referência da área social no Estado.  
 
A relatório da Secont, como aponta reportagem desta segunda-feira (22) de Século Diário, confirma que os contratos firmados entre a Acadis e as empresas da família Da Vitória são superfaturados. A auditoria contábil da Secont mostra, por exemplo, que os valores pagos pelos serviços da  Capixaba Vigilância e Segurança e Capixaba Assessoria Empresarial estão bem acima dos valores de mercado. 
 
Entre as distorções encontradas, a Secont destaca o contrato da Acadis com a Capixaba Vigilância, referente à contratação de seguranças para a vigilância noturna desarmada. Enquanto a Capixaba cobrava 6.083,61 por um posto de trabalho, o valor referencial de mercado na época girava em torno de 4,7 mil. Só por essa função, que incluía quatro postos, a Acadis pagou mais de R$ 66 mil anuais de "gordura"  à Capixaba Vigilância. 
 
Os outros contratos com as empresas da família Da Vitória seguem a mesma lógica. A auditoria da Secont deixa patente que não houve cotação de preços para se contratar a empresa com menor valor de mercado. Prevaleceu o jogo de cartas marcadas para favorecer as empresas da família do deputado. 
 
Os relatórios da Secont e do TCE não deixam a menor dúvida de que o esquema Iases-Acadis era fraudulento. As evidências reveladas pelos dois relatórios são reforçadas ainda pelo levantamento contábil do delegado Laterza, que estima que o rombo nos cofres públicos esteja na casa dos R$ 32 milhões entre os anos de 2008 e 2011. 
 
A frieza implacável dos números, que faz a prova dos nove nas contas da Acadis, fornece elementos suficientes para que as investigações levem mais gente para a cadeia, além de manter por um longo tempo as que já estão atrás das grades.

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