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Provando do próprio veneno

Reportagem de Século Diário publicada nesta terça-feira (28) aponta que o governo Paulo Hartung fez despesas de pelo menos R$ 56 milhões sem os devidos empenhos em 2015. O flagrante não tem o intuito de criminalizar o peemedebista, mas de esclarecer que a prática não é uma exclusividade do antecessor Renato Casagrande (PSB), que vem sendo vítima de uma perseguição política. 
 
A propósito, a tentativa de criminalizar Casagrande sempre foi uma estratégia de Hartung. O processo começou em abril de 2014, quando o peemedebista usou um relatório “fabricado” pelos economistas Ana Paula Vescovi e Haroldo Rocha para justificar sua entrada na disputa ao governo, quebrando o pacto político que daria ao socialista a primazia de se reeleger governador nas eleições daquele ano. 
 
Por meio de uma carta, Hartung afirmou que Casagrande havia arruinado as contas do Estado. Durante a campanha, intensificou o discurso que usaria para desqualificar a gestão do antigo aliado. Após eleito governador, Hartung não desceu do palanque, e passou os primeiros meses do seu governo acusando o antecessor de ter “quebrado o Estado”.
 
Com a ajuda de Ana Paula, que assumiria a Fazenda, o governador abusou da “contabilidade criativa” para tentar imputar ao socialista a responsabilidade pelo “desmazelo fiscal” e consequente estagnação do Estado. 
 
A política de austeridade, marca do terceiro mandato de Hartung, que promove cortes lineares em todas as áreas, inclusive as essenciais (saúde, segurança e educação), além de paralisar os investimentos em todo o Estado, também tem sido usada para justificar a “herança maldita” do antecessor. 
 
Entretanto, essa tentativa de linchamento público, até agora, fracassou. Mesmo sem mandato e com uma representatividade pífia na Assembleia, Casagrande tem conseguido defender seu governo pelas redes sociais. A população, mesmo os eleitores de Hartung, não “comprou” a versão apocalíptica do peemedebista. 
 
Obcecado em riscar seu principal oponente da cena política capixaba, a cartada final de Hartung veio com a CPI dos Empenhos – um colegiado concebido nesse contexto político com um único intuito: criminalizar o ex-governador. 
 
Foi promovida uma verdadeira devassa nas contas de Casagrande atrás de elementos que pudessem ser usados contra o socialista. Encontraram despesas sem empenhos, inicialmente na saúde.
 
O tiro, porém, que seria para alvejar o rival, acabou acertando o pé de Hartung, quando o relator da CPI, deputado Euclério Sampaio (PDT) responsabilizou cinco ex-secretários do governo anterior, mas poupou Casagrande.
 
Ao deixar Casagrande de fora da lista de indiciados, o relatório de Euclério implodiu os planos do governador, que tem como estratégia usar a CPI como antecedente para reprovar as contas do ex-governador que, em breve, serão apreciadas pelo Legislativo estadual. 
 
A partir do momento em que a CPI passou a ter efeito reverso, houve uma verdadeira rebordosa no Palácio Anchieta. Coube ao governador recorrer aos serviços espúrios de Gildevan Fernandes (PMDB), líder do governo na Assembleia e presidente do colegiado. O deputado, depois da leitura do relatório de Euclério, passou a forçar cada vez mais a barra para incluir Casagrande entre os indiciados. O desespero e inabilidade de Gildevan tornaram as manobras no colegiado cada vez mais grosseiras e a digital do governo foi ficando mais explícita. 
 
A revelação de que o governo executou R$ 56 milhões em despesas sem empenhos obviamente não garantirá uma CPI para investigar Paulo Hartung numa Assembleia com esse perfil de subserviência ao Executivo. O que confirma o viés político da CPI do Empenhos que foi criada para perseguir o ex-governador. A manobra agora foi ampliada e envolve 13 novos címplices. Os deputados que aceitaram fazer parte da manobra política ao concordarem em votar a favor da continuidade da CPI, o que invalidou a reunião legítima que havia aprovado o relatório de Euclério.

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