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PSB, PPS e o ‘sai prá lá!’

A indicação da ex-vereadora Jaqueline de Moraes para compor como vice na chapa de Renato Casagrande (PSB) que concorre ao governo do Estado, sob uma visão mais aguçada, representa um revés do PPS de Luciano Rezende. 

O prefeito de Vitória, aliado de primeira hora no projeto de Casagrande retornar ao Palácio Anchieta, perdeu a vez e a hora de colocar a marca do seu partido em um eventual governo de Casagrande, líder nas pesquisas, e, assim, repetir a fórmula usada na Câmara da Capital, onde seu poder de mando beira a totalidade.  

No legislativo municipal, os escudeiros do prefeito ampliaram seu raio de ação nos últimos quatro anos, de forma tão excessiva ao ponto de gerar um “racha” em sua base de sustentação, que gerou a formação de um grupo que deverá assumir o controle com a  eleição da Mesa Diretora da Casa, marcada para o próximo dia 15. 

Para ficar fora da disputa envolvendo o partido de Luciano, Casagrande optou por uma indicação caseira, depois de acertos internos.  Decisão que não deve ter agradado os caciques do PPS, de Luciano a Fabricio Gandini, presidente do partido, que viram seus candidatos jogados fora do baú de surpresas. 

Gandini, na convenção partidária que confirmou a candidatura de Casagrande, sábado passado (4), andava com o presidente da Câmara, Vinícius Simões, seu candidato a vice, a tiracolo, enquanto o pessoal mais ligado a Luciano, inclusive sua secretária de governo, Elisabeth Endlich, pajeava Lenise Loureiro, colocando-a sempre próxima a Casagrande. Afinal, é preciso sair bem na foto.

Candidata a deputada federal pelo PPS, Lenise tem reduzidas possibilidades de vitória, o que levou Luciano a tentar indicá-la como vice. Sem conseguir, o plano B seria “rebaixá-la” para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, invadindo, desse modo, o campo de Gandini, candidato a deputado estadual.  

Nos bastidores, a crise está instalada, embora interlocutores mais próximos neguem e sinalizem para o atropelo eleitoral representado pelo deputado estadual Josias da Vitória, que deixou o PDT e faz do PPS apenas uma passarela para a Câmara Federal. Ele vai, Lenise, fica. 

A indicação de Jacqueline Moraes, mesmo que não seja valiosa para a elevação de dividendos eleitorais e de representação política, tem o mérito de colocar pontos nos is, a fim de delimitar espaços. Casagrande deu o velho e bom “sai prá lá!”, extremamente necessário em situações incômodas.   

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