Outro dia, aqui em Século Diário, a jornalista Renata Oliveira comentou, com a argúcia de sempre, o papel equivocado do PT capixaba como caudatário do sistema de poder montado pelo atual governador Paulo Hartung. O partido se sujeitou a conter o movimento popular para dar tranquilidade aos governos de PH.
O PT abriu, com isso, mão do seu principal instrumento político. Afinal, no Brasil contemporâneo, nenhum outro partido incitou melhor as massas do que o PT, que o digam aqui pelo Espírito Santo os governos anteriores ao de PH. E agora, numa hora delicada como essa, em que o partido necessita das massas nas ruas, não há mais a mínima condição dessa mobilização acontecer. O PT capixaba, com certeza, está fora desse combate que o Lula quer liderar no País, como forma de salvar o partido e o seu próprio pescoço.
Portanto, dependendo do PT capixaba, o Lula que se lixe pra lá. Por aqui o PT é um partido de colorido essencialmente hartunguete, a ponto de ter um deputado oriundo da CUT na Assembleia, José Carlos Nunes, aprovando as maiores barbaridades contra os próprios trabalhadores que o elegeram. E o cara foi presidente da CUT e continua segurando a CUT para não botar a cara na rua. Como vem fazendo com os professores por meio do Sindiupes. A categoria está insatisfeita com a política educacional imposta por Hartung, mas continua engessada pelo sindicato a mando de Nunes.
Na Assembleia, vejam vocês, os deputados que hoje se insurgem contra a política educacional de PH pertencem a partidos com perfil mais conservador. Caso de Enivaldo dos Anjos (PSD) e principalmente Sérgio Mageski (PSDB), que são os únicos com coragem para combater a política educacional opressora de PH.
Mas o desempenho de Nunes, como da sua CUT, faz parte de um equivocado e estranho projeto de poder de autoria do ex-prefeito de Vitória e atual secretário de Desenvolvimento Urbano do governo Hartung, João Coser, que se iludiu com a conquista das prefeituras de Vitória, de Cariacica, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim.
O castelo de Coser e do PT capixaba rui-se em muito pouco tempo, pela sua artificialidade e, sobretudo mudança de rumo político do PT estadual. Tanto que o mesmo PH, que contribuiu para erguer esse castelo é o mesmo que ajudou a desmoroná-lo. A ponto de hoje o PT capixaba encontrar-se sem nenhuma condição de manter-se, razoavelmente, politicamente no Estado. Ganhar uma prefeitura, por exemplo, dependerá tão somente do deputado federal Helder Salomão em Cariacica. E só.
É um verdadeiro escracho político, sobretudo nessa hora em que o PT precisa impor-se no país com o seu maior líder, Luiz Inácio Lula da Silva, já com a cabeça na guilhotina na iminência de ser decapitado.
Com isso ocorreu? Coser, com os seus aliados (destaque aos prefeitos de Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, respectivamente Leonardo Deptulski e Carlos Casteglione), filiaram militantes em massa no partido. Muitos deles indivíduos totalmente despolitizados, com o único propósito de desequilibrar o processo eleitoral do partido, tornando o PT um partido extremamente conservador voltado, principalmente, ao escambo de cargos nos governos de PH.
Curvou-se ao liberalismo que PH expõe como seu conceito ideológico, sem qualquer disfarce. Nessa questão ideológica, a política de Hartung é absolutamente clara.
A contribuição desse PT de Coser e Nunes deu uma inestimável contribuição para permanência de PH no poder.
Só que essa realidade política não correspondeu às fantasias de poder de Coser que o levou, inconsequentemente, a comercializar Espírito Santo afora, com PH, a ideologia do seu partido.

