O movimento do PT em favor do governo do federal no Estado reuniu pouca gente na Praça Costa Pereira, Centro de Vitória. Convocado em cima da hora, para tentar dar uma resposta à manifestação da oposição pendido o impeachment presidente Dilma Rousseff, no último domingo (16), a estratégia se mostrou equivocada.
Diante do arrefecimento do protesto, atraindo menos gente, a situação achou que poderia ganhar mais adeptos para responder na mesma moeda. Em outros estados, o número também ficou aquém da movimentação da oposição. Mas no Espírito Santo, é interessante observar uma peculiaridade.
Desde a chegada de Paulo Hartung (PMDB) ao Palácio Anchieta, em 2003, com a adesão do PT ao governo, notou-se o afastamento do partido de suas bases. Para dar tranquilidade ao governador, o partido saiu das ruas, houve uma desmobilização da classe trabalhadora, e os sindicatos encolheram devido à falta de incentivo da CUT a essa formação política na sua base.
O PT do Espírito Santo pagou caro por essa escolha. Não consegue aqui vencer o perfil conservador e direitista do eleitorado, e vem se tornado cada vez menos um partido ideológico e cada vez mais pragmático, apostando na construção de nomes ligados ao governador para garantir alguns espaços.
Por isso, não dá para esperar que de uma hora para a outra o partido consiga mobilizar a massa, atraindo para a rua o trabalhador em favor do governo do PT. Muitas figuras de dentro do partido entendem a necessidade urgente de o partido se reaproximar de seu passado, voltar à classe trabalhadora, buscar a mobilização das associações de bairros e outras entidades ligadas à esquerda. Mas isso não se faz do dia para a noite.
Se quiser ocupar novamente as ruas, precisa repensar seu jeito de fazer política, apostar na renovação não só de quadros, mas também de ideias, criar um projeto de governo, e buscar espaços, não nos acordos de alianças, mas trabalhando onde a oposição tem dificuldade, que é na capacidade de atrair a população mais carente.
Não basta pegar a bandeira vermelha e ir para rua. É preciso convencer a população a seguir suas lideranças, tendo um discurso para apresentar e convencer. Isso o PT capixaba perdeu no caminho, ao aceitar o papel de coadjuvante eterno.
Fragmentos:
1 – Finalmente a classe política está entendendo a importância das redes sociais e começa a se comunicar por meio dessa ferramenta. Um instrumento que vem sendo usado mundo afora há muito mais tempo.
2 – O vereador Marcelão (PT) apresentou nessa quarta-feira (19) um projeto de lei para a criação de mais um conselho tutelar em Vitória e melhoria do atendimento dos demais.
3 – Termina nesta sexta-feira (20) o prazo para a inscrição de chapas na eleição para reitor e vice-reitor da Universidade Federal do Espírito Santo. A votação será no próximo dia 22 de setembro.

