O governador Paulo Hartung elegeu a senadora Rose de Freitas como sua principal adversária para o próximo ano. Tenta de todas a formas frear os movimentos da correligionária e se mantém, ainda, no PMDB justamente para fechar a porta para a senadora. Chegou a ir a Brasília pedir isonomia de tratamento do governo federal em relação à atenção dos ministros à senadora, numa verdadeira guerra de agendas que tem travado com a rival.
Mas o cenário eleitoral capixaba não é árido para Hartung apenas pela presença forte da senadora Rose de Freitas no campo. No interior, a memória do eleitor aponta também para o ex-governador Renato Casagrande (PSB). Há quem diga que após três anos de governo Paulo Hartung, voltado para o empresariado e com um discurso para fora do Estado, muitos eleitores teriam se arrependido do voto em Hartung.
Não que a gestão Renato Casagrande tenha sido de excelência para interior. A tão prometida descentralização do desenvolvimento não aconteceu na prática, mas o perfil do ex-governador é mais simpático ao eleitor do que o de Hartung. Quanto a isso, não há menor dúvida.
A política de austeridade pode até ter colocado o Estado “nos trilhos” novamente, como gosta de dizer Hartung, mas a população sabe quem pagou o preço disso. E abrir o cofre próximo ao ano eleitoral é bem sugestivo. O “Abrace o Paulo!” parece ter ficado esquecido em algum armário no Palácio Anchieta e o governador voltou a ser o velho Hartung, distante da população e íntimo do empresariado.
Mesmo na planície, Casagrande ganha visibilidade no imaginário do eleitor pelo desgaste do governador. Seguindo a tendência no mercado político, na comparação entre o que ganhou com o que perdeu, o socialista tem se fortalecido no governo do Estado.
Resta saber o que o ex-governador vai fazer com esse capital. Tem dito a algumas lideranças que vai disputar o governo, mas tem evitado falar abertamente sobre candidatura. Mantém conversas constantes com a senadora Rose de Freitas e nada o impede de tentar atrair para seu grupo o principal opositor do governador Paulo Hartung na Assembleia, o deputado Sergio Majeski (PSDB).
Isoladamente essas três lideranças — Rose, Casagrande e Majeski — já têm causado muita dor de cabeça para Hartung, se decidirem se unir em 2018, o melhor caminho para o governador é buscar uma saída para fora do Estado, onde ele construiu uma narrativa de excelência e pode surfar nesta construção.
Fragmentos:
1 – Pelo nível dos debates nas Câmaras municipais do Estado, dificilmente haverá ascensão de vereadores para a Assembleia Legislativa. Na verdade, os vereadores não conseguem sequer se entender, quem dirá fazer articulação para sair de suas cidades.
2 – O prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), está sendo vítima de piadas da população na internet. Dizem que o prefeito sumiu. Envolvido com as ações da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), Juninho realmente tem viajado bastante, mas não chega a ser um Dória.
3 – Ele não é tucano, mas hoje a liderança política mais em cima do muro no Estado é o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), que num dia afaga Rose de Freitas e no outro faz elogios ao governador Paulo Hartung. Não dá para servir a dois senhores, prefeito!

