
Se a justificativa do governador Paulo Hartung (PMDB) para responder às graves denúncias do deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB) sobre o descumprimento do índice constitucional de aplicação de 25% do Orçamento na Educação – que virou alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) – já foi considerada pra lá de fraca, a do ex-governador Renato Casagrande (PSB) em A Gazeta, nesta quinta-feira (4), conseguiu ser pior ainda. Hartung usou o aval do Tribunal de Contas do Estado (TCES), uma resolução de 2012, para destacar que foi legal a manobra que incluiu nas contas de investimentos da pasta as despesas com previdência de servidores inativos e pensionistas. Só que, detalhe, a prática começou antes, ainda em 2009, seu segundo mandato. Já Casagrande, em A Gazeta, disse que é injusto compará-lo a Hartung, que não foi ele quem instituiu essa metodologia de cálculo, e que a praticou de boa-fé. Mais um detalhe: a manobra do TCES foi consolidada na gestão de Casagrande que, naquela época, ainda gozava do pacto de continuidade firmado com Hartung e que o levou à cadeira número um do Palácio Anchieta. Estavam juntos e misturados, nos mesmos interesses e ações. É verdade que essa aliança desandou, os dois viraram inimigos políticos, mas “peraí”, né…muitas vezes o melhor é nem falar nada. Casagrande perdeu essa chance de ouro.
Ironia do destino
O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidirá o futuro de Hartung na Lava Jato – investigado ou não – construiu carreira no Rio de Janeiro, mas…é baiano!
Árdua
Que missão inglória, repito, essa entregue ao senador Ricardo Ferraço (PMDB) de relatar o projeto da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Vender as propostas do governo Temer às centrais sindicais é muito mais do que uma missão…
Convence?
Ferraço, claro, não dá qualquer sinal nesse sentido, pelo contrário, garante que tem o “compromisso de não admitir violações à Constituição no artigo que trata dos direitos fundamentais do trabalhador urbano e rural”. Mas difícil imaginar um parecer dele que não atenda perfeitamente aos interesses do empresariado, hein!
Entrelinhas
O senador já recebeu, nas redes sociais, um alô do deputado federal Lelo Coimbra (PMDB), defensor ferrenho das reformas: “Parabéns, Senador Ricardo. Muito sucesso nessa urgência brasileira!”.
Enquanto isso…
Com a aprovação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados, Sérgio Vidigal (PDT) voltou ao Facebook para reafirmar sua posição. “Voto contra essa proposta, pois se ela for aprovada, você e sua família terão que trabalhar muitos anos a mais para se aposentar”. Pois então…
Sob controle
A derrubada da Câmara de Vitória de dois vetos do prefeito Luciano Rezende (PPS) na sessão do último dia 27, embora tenha parecido, não foi recado para o executivo, e sim situacional. Luciano, como se sabe, tem a Câmara na mão.
Segue…
O primeiro foi o do vereador Davi Esmael (PSB), que dispõe sobre o controle de emissão de ruídos urbanos, leia-se: permitir o aumento do volume nas igrejas. Como muitos vereadores são evangélicos, passou. O segundo veio na onda, afinal, não pegaria bem derrubar o projeto de Neuzinha Oliveira (PSDB) que aumenta o percentual das concessões de exploração do serviço de táxi para veículos adaptados para transporte de pessoas com deficiência na Capital. Né?
Bola murcha
A poluidora ArcelorMittal, que controla as antigas CST e Belgo no Estado, não liga nada para o futebol capixaba. O grupo patrocina os times do Caxias, do Rio Grande do Sul (RS), e do Jorge Wilstermann, da Bolívia, mas optou por dar de ombros aos times locais, que nunca viram um centavo de suas ações de “responsabilidade social”. Aos capixabas, só mesmo as toneladas de pó preto, dia e noite.
Bola murcha II
A mineradora Vale segue o mesmo caminho, apesar das profundas ligações com a atual campeã estadual, Desportiva Ferroviária, fundada no passado por estivadores da companhia. Desde que foi privatizada, na década de 1990, a companhia abandonou o futebol capixaba, muito embora tenha sido mantida a tradição do “apito do trem” a cada entrada em campo e gol da equipe grená.
Nas redes
“Você que ficou em casa no dia 28/4, criticando quem estava na greve, sabe de onde vem o lucro dos bancos? Uma parte diretamente do seu bolso em taxas de serviços e juros; a outra indiretamente, via dívida pública! Paga essa conta!”. (Advogado André Moreira – Psol – no Facebook).
PENSAMENTO:
“Em política, meu caro, sabe tão bem quanto eu, não existem homens, mas ideias; não existem sentimentos, mas interesses; em política, ninguém mata um homem: suprime-se um obstáculo. ponto final”. Alexandre Dumas

