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Quanto pior, melhor

Não causam surpresa as críticas que a equipe de transição do governador eleito Paulo Hartung (PMDB) tem feito à saúde financeira do Estado. É uma questão de coerência. Não podemos esquecer que Hartung sustentou seu retorno ao governo em cima da teoria do caos.
 
A tese foi forjada a partir de um “estudo” encomendado por Hartung a Haroldo Rocha e Ana Paula Vescovi — então assessores do gabinete do senador Ricardo Ferraço (PMDB). 
 
O “estudo”, que ganhou amplo espaço na mídia corporativa em março deste ano — quando Renato Casagrande (PSB) ainda sonhava em contar com Hartung para o arranjo da unanimidade —, pegou a equipe do governo de calça curta. Os economistas pintavam com cores sombrias o futuro econômico do Estado, fazendo críticas contundentes à gestão do socialista e prenunciando que o retorno de Hartung se fazia necessária.
 
O “estudo” serviria para pavimentar o caminho de Hartung rumo ao Palácio Anchieta. No mês seguinte, ele anunciaria que tinha interesse de disputar a eleição. Na carta de “intenções”, Hartung recorre ao mote do “estudo” para alerta que o Estado parou de crescer e se coloca como solução para reverter a “crise” (criada por Haroldo e Ana Paula). Aliás, pegou mal Hartung nomear Haroldo para coordenar a equipe de transição. Desde março ele vem criticando a política econômica do PSB e não seria agora que ele mudaria de ideia ou teria postura ética e respeitosa em relação ao atual governo.
 
Mas a intenção de Hartung sempre foi essa. Da boca pra fora, ele defende que a transição — desde a passagem do governo Fernando Henrique para Lula, em 2002 — deve ser um processo republicano, pautado na civilidade, no respeito mútuo. 
 
Na prática, o governador eleito bate com golpes abaixo da linha da cintura. Sua equipe de transição não tem nada de republicana e ética. É mais uma equipe de marketing político que complementa a farsa montada durante a campanha do peemedebista, que se valeu de um discurso vazio para convencer o povo de que o Estado descarrilou sob o comando de Casagrande.
 
Cabe a Haroldo e aos demais hartunguetes que completam a equipe de transição alimentar a tese do “quanto pior, melhor”. Esse argumento tem pelo menos três serventias: desconstruir o trabalho feito por Casagrande ao longo destes quatro anos de governo e, consequentemente, aniquilá-lo politicamente; alardear a teoria do caos para atribuir a Hartung o papel de fênix que, novamente, aparece para salvar o Espírito Santo da tragédia anunciada; e, de quebra, o governador eleito ainda fica com um trunfo na manga. Se sua gestão não corresponder, neste início, às expectativas da população, poderá jogar o fracasso nas costas do antecessor. Ele vai poder dizer, com todas as letras, lembrando que sua equipe de transição já o alertara sobre o “caos”, que a gestão desastrada de Casagrande o impediu de implementar as mudanças prometidas. 

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