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Quanto pior, melhor

Como já era esperado, o pessimismo dominou a mensagem do planejamento estratégico do governo. Paulo Hartung e equipe fizeram questão de martelar o discurso do caos, reforçando a sensação de que a crise econômica nacional aliada à gestão “desastrada” do ex-governador Renato Casagrande (PSB) levaram o Espírito Santo para os confins do poço.
 
O planejamento serviu também para comunicar à população que o Estado vai “fechar para balanço” em 2015. Os interlocutores do governo, capitaneados pelo vice-governador César Colnago, fizeram questão de destacar que o Estado, em função da desorganização financeira legada pelo antecessor de Hartung, não tem reservas para manter os investimentos. Moral da história: o remédio para enfrentar a crise é amargo: cortar, cortar e cortar. 
 
Reforçar o discurso do caos, é a parte estratégica do planejamento. Hartung pega carona na crise nacional, que é uma realidade, para pintar com cores fortes o cenário de caos local. Esse discurso segue a lógica do “quanto pior, melhor”. A estratégia política é mostrar à população que Casagrande é o responsável por jogar o  Estado na UTI. Resta agora a Hartung, entrar com a medicação certa para ressuscitar as finanças e recolocar o Espírito Santo nos trilhos do desenvolvimento.
 
O planejamento estratégico se encarregou de alertar à população que esse tratamento será longo e dolorido para o “paciente”. O curioso é que esse discurso apocalíptico vai na contramão dos números do próprio governo. 
 
Enquanto Colnago, ladeado por José Eduardo Azevedo (Desenvolvimento) e Regis Mattos (Planejamento), anunciava à imprensa o balanço do planejamento estratégico na tarde dessa segunda-feira (30), um outro balanço confrontava as informações do tucano.
 
O vice se preocupou em reforçar o discurso do caos, dizendo que a poupança do Estado é “zero”, mas não revelou que o Diário Oficial do Estado, nesse mesmo dia, publicava o Demonstrativo do Resultado Primário dos dois primeiros meses do ano. 
 
O demonstrativo apontou que os valores arrecadados pelo governo em janeiro e fevereiro estavam dentro das expectativas da gestão anterior, que foram consideradas “fictícias” pelo atual governo. O superávit primário nos dois primeiros meses do ano de R$ 630,48 milhões também mostra que a crise não é tão feia assim. 
 
Apesar do caixa positivo, o governo Hartung preferiu travar os investimentos, o que ajuda a construir a sensação de crise. No comparativo, o governo de Renato Casagrande investiu R$ 151,06 milhões em janeiro e fevereiro do ano passado, contra R$ 4,43 milhões de Hartung — uma diferença de mais de R$ 146 milhões. 
 
Se Hartung conseguir segurar a insatisfação do eleitor, que acreditou que o novo governo iria “chacoalhar este Estado”, chega até o final de 2015 com um bom saldo de poupança. Também pudera, fazendo um corte linear de 20% em todas as áreas do governo, sem exceção, e paralisando os investimentos, sobrar dinheiro é obrigação. 
 
Caso o plano dê certo, ele começa a abrir a torneiras aos poucos em 2016, alardeando aos quatro cantos que o sacrifício foi grande, mas surtiu efeito. Vai dizer que o Estado recuperou sua poupança e com ela a capacidade de retomar os investimentos com recursos próprios. 
 
Coincidentemente, a retomada dos investimentos no Estado poderá pegar carona, desta vez, com a reação da economia nacional. Seria perfeito, pois a melhora do País, afastaria o clima de pessimismo. A essa altura Hartung já poderia ser carregado nos braços do povo como o redentor que, novamente, tirou o Espírito Santo do fundo do poço.
 
O reconhecimento das urnas seria natural, selando as vitórias dos candidatos apoiados pelo redentor. Vitórias que, aliás, ajudariam a pavimentar a reeleição de Hartung em 2018, ou, caso ele abra da mão da disputa, do candidato por ele escolhido.
 

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