O titular da Segurança Pública, André Garcia, como outros secretários da equipe do atual governo, receberam uma dura missão do Palácio Anchieta: reduzir em 20% os gastos.
Pressionados pela linha de corte da guilhotina afiada de Hartung, seguir à risca a meta passou a ser quase uma obsessão para os secretários. Todos querem mostrar ao governador que fizeram o dever de casa direitinho. Como alunos obedientes e aplicados, eles esperam receber o louvor do preceptor.
Um caso em especial chamou a atenção da imprensa e consequentemente da opinião pública está semana. O secretario de Segurança disse que cumpriria a meta estabelecida pelo governador tirando viaturas das ruas. A medida é simples: um corte reto nos gastos com combustível das viaturas. Em vez de um batalhão da PM colocar dez viaturas no policiamento, reduz para sete.
Como não podia ser diferente, a população reagiu mal à medida. Em um estado que é vice-líder nacional em homicídios há mais de 12 anos, gera pânico na população imaginar que o Estado vai se tornar menos presente ainda.
O ex-governador Renato Casagrande (PSB), que reconhecidamente reestruturou a Segurança sucateada durante os dois mandatos (2003 a 2010) do governador Paulo Hartung, foi um dos que se revoltaram com o anúncio da medida.
Casagrande usou as redes sociais para criticar o governador Paulo Hartung. “É triste ver os resultados que lutamos tanto para alcançar no enfrentamento à violência e ao crime correndo o risco de se perderem”. Ele acrescentou ainda que o governador estava dando “um grande passo para trás” ao liberar as ruas para os criminosos.
A indignação de Casagrande é a mesma que toma conta da maioria da população. A medida é tão despropositada que até os deputados governistas reagiram. Com toda a cautela, é claro, pediram ao governador que revisse a posição do secretário.
André Garcia, porém, só está cumprindo ordens. A determinação de cortar gastos cegamente vem do Palácio Anchieta. Na matemática de Garcia, economizar R$ 3 e uns quebrados por litro de gasolina vai ajudá-lo a cumprir a meta. Isso é o que importa. As vidas que serão perdidas com a medida são outros quinhentos, já que neste governo tudo se resolve em números.
Uma das vidas dragadas pela matemática perversa do governo Hartung foi a da professora Miriã Rocha Tavares Peixoto, 40 anos, assassinada na última terça-feira (10). A professora, que lecionava numa escola pública em São Torquato, Vila Velha, morreu à luz do dia, num local de grande circulação de pessoas, vítima de bala perdida, resultado de uma troca de tiros entre duas gangues.
Fica a pergunta: duas gangues trocariam tiros à plena luz do dia se houvesse policiamento preventivo no local? Dificilmente. Por mais que o secretário adote um discurso, em tese, “bonito”, de que Segurança não se faz com polícia, mas com políticas públicas, na pratica, a população se sente mais segura com a presença da polícia.
Aliás, Paulo Hartung subverteu todas as teses sobre Segurança Pública. Em seus dois mandatos, não fez Segurança Pública nem com polícia e nem tampouco com políticas públicas.
Casagrande se mostra indignado com o retrocesso da medida porque sabe que teve muito trabalho para reduzir os índices de homicídios nos últimos quatro anos. O socialista herdou a vala cavada pela inépcia de Hartung, que assistiu passivo, ao lado do então secretário de Segurança Rodney Miranda, a morte de mais de 14 mil pessoas entre os anos de 2003 e 2010 – uma média de 55 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Registre-se, a pior marca desde que a série passou a ser produzida, em 1980.
Mesmo que a partir de agora o governo maquie os dados para esconder o retrocesso na política de Segurança, a população saberá indicar se o Espírito Santo está às voltas com os índices de guerra civil. Porque a percepção da população, não se pode maquiar.

