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Que elas existem, existem

Um músculo parado por muito tempo emperra; um carro enguiça; a mente entorpece. Mulher sem elogio azeda; amor não alimentado acaba. As palavras também sofrem pelo desuso, sendo substituídas por outras mais jovens ou alienígenas, e caem no olvido. Os dicionários estão cheios de palavrões que ninguém usa, mais os de cuja existência apenas alguns gatos pingados  foram noticiados. Como os animais, são espécies ameaçadas de extinção – algumas morrem, outras estão em coma, pedindo arrego.
 
Vamos, pois, dar nossa contribuição modesta mas bem intencionada ao vernáculo nacional, tentando tirar do ostracismo algumas palavras que outrora frequentaram salões sociais, chazinhos da Academia, palanque de políticos, discursos de posse, cartas de amor. Todo empetecado, Juca adentrou um bar muito fulero. No que tange a seus costumes, é um sujeito morigerado, regrado até. Mas tem lá suas idiossincrasias, que o dicionário alinhava como alergias, mas o povo optou por manias.
 
Nica esbugalhou as remelas quando o viu empestando o recinto, pois em antanhos tempos foram amancebados, vivendo em reprochável concubinato. Estrebuchado, um dia  o infeliz juntou os cacarecos e escafedeu-se, sem mandar missiva relatando ponderações. Intempestivamente,  resolve agora ser assídua na área outra vez, crendo que sua turpitude está morta e enterrada. Em não sendo Nica babaca nem panaca, conhece bem a tendência recidiva do crioulo, que só faz cacaborrada.  
 
O energúmeno ficou todo acachapado,  palavreando que agora é sabadista,  não trabalha no sábado, mas Nica sabe que ele não trabalha nos outros seis, tá rodado, perdido e sem direção. Destarte,  quem assume presença no pedaço é a Belu, outra ex,  com um vestido de sabagage, tecido que nem se usa mais. A caninana é uma talarica, quando melhores amigas roubou-lhe o namorado, quer dizer, o tal Juca. Chega  rodando a baiana, e como Nica não é de levar desaforo pra casa, deu treta…
 
Em alto e bom som, Nica nomeia Beluga de  mocreia. Em contrapartida, Beluga batiza Nica de jaburanga. Outrossim, sendo  feias as duas, é o roto falando do esfarrapado. Concomitantemente, uma declara que a outra é pequete, e a ofendida rebate chamando a uma de piriguete. Imediatamente após desenrola-se o maior destampatório. Para gáudio do público presente ao quiproquó, que sacou o acachapante óbvio – as ditas cujas ainda acalentam uma obcecação pelo destemperado Juca.
 
Quem desfaz o bafafá é o próprio já referendado e acima citado Juca, elemento de pouca monta, sem eira nem beira, um pabuloso querendo exibir o que não lhe pertence, que é decoro e vergonha nas ventas. O dito cujo mandou servir um zagré pra acalmar os ânimos, Vamos pôr uma pá de cal no ocorrido, catrancas, e fica o dito por desdito e com um nó arrematado. E assim sem mais tardança e considerando as premissas, caputi, acabou a relato, quem quiser que conte quatro.

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