“Às vezes, a vida fica tão difícil, que dá até vontade de desistir.”
Estamos surpresos? Não podemos classificar como surpresa a dificuldade financeira que parece se estender sobre as famílias brasileiras, diante dos fatos e do cenário instalado no país. Se de um lado a crise – econômica política e social – se agrava, do outro lado observamos que, como reação, acentuam os comportamentos e hábitos prejudiciais à saúde gerando, retornando ou intensificando problemas.
Sob esta pressão e tensão constantes impostas pelo cenário, os tabagistas, alcoolistas, drogaditos, compulsivos, impulsivos, depressivos, ansiosos, e muitos outros, parecem estar recaindo, intensificando hábitos negativos, parecendo buscar um caminho, como atos de fuga e/ou desesperança. Passam a vislumbrar outras saídas para aliviarem o sofrimento, o estresse e a tortura provocados pela realidade, associada à sensação de falta de oportunidade e de energia pessoal para lutar pela superação. Sentir-se exaurido pelo processo e sem um caminho, impõem maior risco.
Há realmente um efeito cascata perigoso, sobre o qual todos nós precisamos nos debruçar, a fim de contornar danos maiores, de contê-la, dominá-la e/ou superá-la.
Quando o cenário externo está ruim e o ambiente denuncia uma disfuncionalidade na dinâmica familiar, como por conflitos, aumenta o risco do estresse e do surgimento ou agravamento de doenças. Não há como dissociar o comportamento psicológico do contexto físico, biológico e sociocultural.
Frente à situação de crise é importante retornar às raízes; ou seja, fortalecer os vínculos familiares, intensificar a rede de apoio, estabelecendo relações saudáveis. É também hora para intensificar o diálogo, pois verbalizar os sentimentos, as ideias e os problemas auxiliam na compreensão do momento, bem como possibilita a construção de estratégias para superá-lo. Ao verbalizar o que está sentindo, pensando e preocupando, faz com que se reposicione diante dos fatos e trace novas formas de enxergar a situação e de agir nela.
Como que numa balança, se o cenário macro não está favorável à saúde, o ambiente -familiar e social – deve ser melhorado, assim como os hábitos saudáveis devem ser implantados ou intensificados. Hábitos como adotar a prática de uma atividade física que lhe seja prazerosa, aderir a uma alimentação saudável, pensar e agir com positividade, monitorar o comportamento de consumo, intensificar a espiritualidade, evitar o uso ou abuso de drogas – lícitas ou ilícitas. Essas vias são responsáveis por “blindar” os indivíduos sustentando-os em períodos de dificuldade e afastando o adoecimento das famílias.
Se acaso precisar ressignificar a vida, volte à base, retorne às raízes, para reforçá-la e para nela suprir as necessidades, os sentimentos e carências provocadas pelos momentos de adversidade.
Porque pode parecer piegas, mas somente “unidos (é que) venceremos”
Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br
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