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Quem conta as dívidas espanta

 

Quando passamos da condição de controlados a controlador vamos dia a dia modificando hábitos, às vezes, enraizados, quebrando velhas práticas, ficando mais atentos às pequenas coisas e conquistando as nossas metas. É assim com qualquer comportamento de consumo. Para uma reeducação alimentar com vistas à perda de peso para uma vida mais saudável, tem que contar e cortar calorias, assim como as porções e do outro lado exercitar-se mais para gastá-las. Quando o emagrecimento ocorre muito rápido, à custa de medicamentos ou excessos, há maior risco de retornar ao peso inicial ou até mesmo de superá-lo.
 
No controle financeiro a regra é semelhante. A receita familiar é a medida, devemos gastar menos do que recebemos. As anotações diárias dos gastos, detalhando-os, são necessárias para controlar o quanto podemos dispor para cada item e onde e quanto podemos economizar para utilizar futuramente em ações planejadas. É formar a “gordura” para “queimar” no momento certo e sem impacto na saúde financeira familiar.
 
Quem mantém suas contas sob controle e realiza despesas extras planejadas, minimiza significativamente os riscos de endividamento excessivo e da consequente inadimplência.
 
Compare entre o período em que não priorizava o controle das despesas e a partir de quando assumiu as rédeas da vida financeira passando a controlá-las e a planejá-las. Há uma frase repetida que demonstra que a maioria das pessoas pensava que estava gastando ou devendo um valor e quando passou a controlá-los constatou que estava subestimando, desencadeando o processo a partir do susto, vem o medo de não conseguir “dar a volta por cima”, depois a vergonha…
 
A dica para motivar a mudança no comportamento de consumo é anotar o que deixou de gastar, identificando nas despesas realizadas o percentual de desconto conquistado na negociação ou o valor economizado. Ao final do mês terá a real noção do quanto deixou de gastar e o melhor, sem deixar de consumir o que pretendia ou necessitava.
 
É uma mudança de paradigma que vivemos. Há que se desmistificar que as pessoas que contam, que planejam e controlam suas contas são “pão duras”, “mãos de vaca”, e outros adjetivos mais. Não estamos falando do extremo, da avareza, mas do ideal. Quem planeja e controla sempre estará à frente na saúde. É incontestável.
 
Juntando os dois comportamentos de consumo citamos que pesquisas recentes apontam que situação de dificuldade financeira faz com que se coma mais e alimentos mais gordurosos, calóricos, fruto do processo de stress financeiro. Há pessoas com descontrole nas finanças e na balança, que começam a tratar-se pelo bolso, introjetando o hábito de controlar suas finanças e acabam também passando ao controle na ingestão alimentar, qualitativa e quantitativamente, perdendo peso e ganhando saúde física, mental, social e financeira.
 
Uma mudança comportamental leva a outra, pois há a capacidade adquirida de aplicar em ambas a disciplina e o controle necessários.
 
A “receita de bolo” é: planejamento, organização, controle, disciplina e avaliação contínua. Assim, os males espantamos.
 

Ivana Medeiros Zon é assistente social,  especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira.

 Fale com a autora, mande suas dúvidas para [email protected]

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