A fusão entre PSB e PPS pode mexer no processo eleitoral do próximo ano. Os dois partidos caminharam juntos em 2012 e suas principais lideranças, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), juram fidelidade, embora haja desconfiança em relação às movimentações do prefeito.
A fusão vai acomodar os dois no mesmo partido. Duas figuras que têm personalidades parecidas em relação à política partidária. Suas siglas se voltam para a sustentabilidade de suas estrelas e acabam não criando espaços para outras estrelas.
O PSB hoje tem um deputado federal e dois estaduais. Dos 22 prefeitos que elegeu em 2012, boa parte está deixando o partido, mas a perda mais sentida será mesmo a do prefeito da Serra, Audifax Barcelos, que está de saída da sigla. Em menor escala, mas também digno de destaque, está a saída de Vandinho Leite. O partido no ano passado perdeu de forma trágica uma liderança em ascensão no sul do Estado, o então deputado Glauber Coelho.
O PPS tem duas prefeituras importantes – Vitória e Cariacica –, podem se reeleger nas duas, mas estão em área de risco. Juninho, o prefeito de Cariacica, é popular e acredita no apoio palaciano, embora o governador não esteja muito preocupado com ele, e dentro do PPS, não é um adepto do grupo de Luciano Rezende.
Já o prefeito de Vitória entregou o partido ao aliado Fabrício Gandini, até porque tem preocupações muito maiores para resolver, como garantir a reeleição em uma eleição muito dura no próximo ano em Vitória.
Se a fusão se consolidar, o novo partido no Estado deve ficar sob o comando do deputado federal Paulo Foletto, que também tem a dura tarefa de comandar o ninho da pomba no pleito do próximo ano, já prevendo um desempenho bem diferente do de 2012.
A fusão do PPS e do PSB pode levar a uma reflexão das lideranças, já que o ex-governador Renato Casagrande, que é hoje o principal desafeto político de Paulo Hartung (PMDB), estará na sigla e isso terá reflexos na eleição do próximo ano para quem estará em um palanque que não tenha o DNA palaciano.
Fragmentos:
1 – É difícil acreditar em um favoritismo de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) para a disputa municipal do próximo ano.
2 – É verdade que quanto um gestor vai mal, seu adversário na eleição tende a se beneficiar eleitoralmente, mas Luiz Paulo vem de três derrotas – governo do Estado (2010), prefeitura de Vitória (2012) e deputado federal (2014) – e está desde 2010 sem mandato. Isso prejudica a captação de votos.
3 – Também é difícil acreditar que o governador Paulo Hartung (PMDB), que tem problemas sérios em seu início de mandato, lidando com insatisfação da classe política e manifestações populares, esteja tão bem neste terceiro mandato.

