O conteúdo do debate eleitoral da TV Capixaba dessa quinta-feira (28) não apresentou muitas novidades sobre os programas de governo e as justificativas e ataques entre os principais candidatos, mas foi um importante exercício para se avaliar a postura de cada um e observar suas vantagens e fragilidades.
Foi estranho ver dois veteranos em política se enrolarem em um debate eleitoral. Como a novata Camila Valadão (Psol), que colocou Paulo Hartung (PMDB) no bolso. Só para se ter ideia do que isso significa, quando Hartung foi eleito deputado estadual pela primeira vez, Camila ainda não havia nem nascido.
Ela não usou nenhum outro candidato de ponte, mandou os recados diretamente, fez pergunta para Paulo Hartung e Renato Casagrande, sempre reforçando a ideia de que ambos representam o mesmo projeto de poder, que atende a interesses econômicos e não às demandas da população.
Roberto Carlos (PT) fez muito bem o papel de defesa do governo federal e só. Na hora de defender seus projetos, não soube aproveitar as deficiências de seus adversários para alavancar sua própria campanha. Mas foi bem na hora de expor as estratégias de Hartung e Casagrande, que tentaram usá-lo como sparring.
Casagrande não foi mal no debate, mas decepcionou quem esperava muito mais dele. A postura sisuda não ajudou em nada e também não soube aproveitar as fragilidades de seus adversários, sobretudo Paulo Hartung. O ex-governador passou pelo debate todo sem responder efetivamente nenhuma pergunta e não foi questionado por isso.
O erro de Casagrande pode estar em apostar todas as fichas em uma comparação de governos, quando seu caminho deveria ser a comparação dos agentes. Ele teria de mostrar por que ele seria melhor que Hartung, e não por que seu governo seria melhor do que o de Hartung. Ao fazer essa comparação, corre o risco de compartilhar os problemas do antecessor.
Hartung não foi bem, se deu mal nos sorteios, e percebeu tarde demais que Camila Valadão não era uma candidata fraca que poderia ser utilizada para atacar indiretamente Casagrande. Quando percebeu, já estava no canto do ringue, sob forte ataque. Deve ter percebido que seu discurso abstrato pode ser um problema no enfrentamento eleitoral, caso a disputa esquente na chegada.
Por ora, se houve um vencedor no debate eleitoral, esse vencedor foi a candidata do Psol.
Fragmentos:
1 – A exoneração da secretária de Desenvolvimento da Cidade, Sandra Monarca, foi publicada no Diário Municipal desta sexta-feira (29), retroativa ao dia 1º.
2 – Nos corredores da prefeitura, os comentários são de que a secretária estaria contrariando interesses do empresariado local, o que estaria “empacando” obras como o empreendimento do grupo ligado ao Shopping Vitória.
3 – No lugar de Monarca, assume a pasta Lenise Loureiro, braço direito do prefeito Luciano Rezende (PPS).

