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Quem não deve…

Assim como tem se comportado até aqui após o crime ambiental do rompimento de sua barragem em Mariana (MG), a Samarco/Vale continua muito mais preocupada com seu próprio umbigo do que qualquer outra coisa. O pedido de habeas corpus preventivo, que foi concedido pelo Tribunal de Justiça (TJES) ao diretor da empresa, Ricardo Vescovi, é apenas mais uma prova disso. A decisão em primeira instância da Vara da Fazenda Pública Estadual, Registros Públicos e Meio Ambiente de Colatina determina prisão a Vescovi por crime de desobediência ou prevaricação apenas em caso de descumprimento da série de medidas impostas para mitigar os danos irreversíveis que a empresa causou. Se Vescovi está com medo de ser preso, você acha mesmo que a Samarco/Vale tem a intenção de atender às obrigações? 
 
Básico do básico
E olha que a liminar determina o mínimo de obrigação à empresa. Do tipo: garantir água potável para consumo humano e animal aos municípios atingidos; apresentação de um plano de contenção, prevenção e mitigação dos impactos ao rio Doce; resgate da fauna aquática; e um plano de comunicação social com as comunidades. 
 
Cadê?
O que está faltando, agora, é o TJES tornar pública a decisão do desembargador Manoel Alves Rabelo em favor de Vescovi. Está todo mundo querendo conhecer os argumentos. Por enquanto, a única informação fornecida pelo órgão é que o processo foi distribuído para Walace Pandolpho Kiffer
 
Culpado
Aliás, se os advogados da Samarco/Vale livraram a pele de Vescovi por enquanto no Estado, em Minas Gerais o Ministério Público Estadual ameaça pedir a prisão dele, e olha que não é por conta de medidas assim não. Neste caso, em decorrência do rompimento da barragem. Tem defensa?
 
Deboche
Por falar nisso, o prazo para a Samarco/Vale cumprir a decisão da Justiça Federal que a obrigava a apresentar medidas de contenção da lama na foz do rio Doce em 24 horas venceu às 19h55 dessa quinta-feira (19). A empresa protocolou petição eletrônica às 19h54. O teor ainda será divulgado. 
 
Garoto-propaganda
Nessas horas que as relações entre políticos, instituições e poluidoras estão atoladas em lama, todo mundo aproveita para se apoiar na imagem do fotógrafo Sebastião Salgado. A Vale, como sempre, a presidente Dilma, o governador Paulo Hartung (PMDB) e o Ministério Público Estadual, por meio do procurador-geral Eder Pontes. Estão fechadinhos, só de olho nos holofotes. 
 
Faltou a Vale
Diferente das postagens anteriores em suas redes sociais, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) resolveu, agora, colocar na conta da Samarco a tragédia de Mariana (MG). Difícil, hein?!
 
Faltou a Vale II
Já o deputado federal Max Filho (PSDB), em pronunciamento nessa quinta, tratou o crime como uma tragédia anunciada. Também citou a mineradora Samarco e a fala do diretor que não acha prudente, neste momento, pedir desculpas. “Quanta arrogância e soberba diante do maior crime ambiental da história da mineração nacional”, disparou. 
 
Segue…
No mesmo dia, Max criticou o decreto da presidente Dilma que rendeu muita polêmica nas redes sociais. É aquele que considera a tragédia como “desastre natural” para permitir a liberação do FGTS das pessoas afetadas. A medida é considerada uma brecha para isentar os culpados. Não sei o que é pior: o decreto ou as vítimas usarem o próprio dinheiro, enquanto as empresas fingem que não é com elas. 
 
Filme repetido
O resultado da eleição para o comando da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) deve ter sido um déjà vu para a jornalista e consultora política Flavia Mignoni. Mais uma vez, o candidato que ela assessorou polarizou a disputa, ganhou em Vitória, mas acabou não levando. Detalhe, pesou na contagem os votos do interior. Qualquer semelhança com a eleição ao governo de 2014…
 
Filme repetido II
Na disputa da vez, Mignoni fez a campanha de José Carlos Rizk. Ele deu trabalho para o atual presidente Homero Mafra, reeleito para o terceiro mandato, mas ficou em segundo lugar. Na eleição passada em que ela atuou, o candidato era o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que também venceu em Vitória e perdeu de lavada no interior para Paulo Hartung (PMDB). Tem uma diferença: ao contrário de Casagrande, Rizk não é situação. 
 
Nas redes
“Comunicamos que devido à relativa normalidade da distribuição de água em Baixo Guandu iremos ajudar os colatinenses. Disponibilizaremos alguns carros-pipas, 50 mil litros de água mineral/dia e 100 mil litros de água tratada pelo nosso Saae para abastecer os hospitais”. (Prefeito Neto Barros – PcdoB – no Facebook).
 
'Melhores’ momentos
 
Não tem a tal reunião da comissão de representação da Assembleia Legislativa criada para “apurar” a tragédia de Mariana (MG) com os diretores da Samarco Mineração, que foi realizada nessa terça-feira (17)? Então, como já dito aqui, o circo estava armado para fazer um oba-oba com a empresa a portas fechadas e depois todo mundo ficar bem na foto na mídia corporativa. Os “melhores” momentos do encontro deixam claro de que lado os deputados estão. Algumas considerações: entre perguntas evasivas e respostas mais ainda, a deputada Janete de Sá (PMN) parecia, mesmo, assessora de imprensa do diretor da Samarco, Ricardo Carvalho – reparem, principalmente, o final do vídeo, quando ela interrompe o repórter da TV Ales que queria entrevistá-lo. E  bilhetinho trocado entre o assessor de verdade da Samarco, Fernando Kunsch, e, de novo, Janete. Não passa batido, também, a maneira como Carvalho se refere à composição dos resíduos – amido, maisena, ou seja, coisa pouca, besterinha. E, para finalizar, tem fala extraordinária, para não dizer o contrário, do presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), que não só agradece como elogia e abençoa a empresa. Amém!
 

 

 
PENSAMENTO:
“O que o Brasil precisa realmente corrigir é a questão da impunidade. Impunidade, no Brasil, contagia, desmoraliza, desrespeita e arrasa qualquer plano”. Dilson Funaro

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