
Precisou alguém pisar no calo da Assembleia Legislativa, para alguns deputados entrarem numa questão antiga e pra lá de questionável da escolta fornecida pelo governo do Estado a autoridades e membros de órgãos públicos, inclusive do Judiciário. A não ser uma ou outra manifestação feita no passado, como de Gilsinho Lopes (PR), os parlamentares nunca quiseram colocar a mão nesse vespeiro, apesar das inúmeras críticas que sempre ecoaram da sociedade civil organizada, principalmente em relação aos dois casos mais emblemáticos, do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), e do juiz Carlos Eduardo Lemos, ambas justificadas no crime do juiz Alexandre Martins, há 13 anos. Duas escoltas, aliás, nada modestas e, pelo visto, vitalícias: 18 policiais militares à disposição de Rodney e 20 do juiz Carlos Eduardo. Apesar do atraso, estão mais do que certos os deputados em reagir a essa medida contraditória da Secretaria do Estado de Segurança de retirar os policiais cedidos à Casa, apenas cinco, enquanto as demais escoltas, que são muitas, sequer são questionadas ou mesmo conhecidas, embora bancadas com recursos públicos. Afinal, quantos desses policiais poderiam estar nas ruas, a serviço da população? Só tenho dúvida, mesmo, sobre até onde vai essa disposição dos deputados em exigir respostas e até aprovar um projeto proibindo a cessão dos policiais da ativa para as escoltas, como já ameaçaram. As rebeliões contra o governo do Estado na Assembleia, sabe como é, não costumam durar muito.
Devo, nego…
Por falar em Rodney, se depender da classe artística de Vila Velha, ele vai deixar o cargo com fama de caloteiro. A Associação Capixaba de Músicos Profissionais (Acamp), que vem há anos tentando receber da atual gestão por shows e projetos realizados em escolas municipais, resolveu acionar o Tribunal de Contas.
Devo, nego II…
Além da saída de Rodney da prefeitura, o presidente da entidade, Jorge Egbert, teme que o processo prescreva. Os serviços são de 2011 (gestão Neucimar Fraga, do PSD) e 2012 e 2013 (gestão Rodney). A soma total da dívida seria de R$ 155 mil e os artistas pleiteiam ao Tribunal o pagamento imediato. A entidade acusa Rodney de manobras protelatórias.
O retorno
E pra quem achava que Rodney, depois do banho que levou na disputa, fosse desistir, lá vem o prefeito com planos para 2018: Assembleia ou Câmara dos Deputados. Resta saber qual vitrine o governador Paulo Hartung (PMDB) irá oferecer a ele, para tentar recuperar sua imagem. O papel de Rambo já está com o secretário de Segurança, André Garcia, também afilhado político do peemedebista.
Atos
Um dia após a morte do então prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), três atos ecumênicos simultâneos foram realizados em Conceição da Barra (norte do Estado): na sede, em Braço do Rio e Itaúnas.
Bônus
O deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) não quer passar batido das eleições municipais. Em vídeo, ele avisa dos candidatos apoiados por ele que venceram as disputas para prefeito e vereador. Título: “Fique sabendo”.
Bombando
Em Linhares, norte do Estado, os vereadores eleitos e reeleitos antecipam as movimentações para eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara. Como circula nos bastidores, são três os cotados: Amantino (PMDB), Ricardinho da Farmácia (SD) e Gelson Suave (PSC), todos da base do prefeito eleito Guerino Zanon (PMDB).
Bombando II
O que dizem por lá é que Amantino tem a seu favor a experiência, mas encontraria certa resistência entre os colegas, por alguns posicionamentos considerados radicais. Ricardinho tem a seu favor ter sido o campeão de votos da disputa, mas é novato, enquanto Gelson também ganha com a experiência – já foi vice e presidente interino – e teria boa relação com os colegas.
Efeito cascata
Chegou a hora dos magistrados chiarem. Na pauta da próxima reunião convocada pela Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages), às 9 horas, no dia 21, tem uma lista de PECs, entre elas a polêmica 241/2016, que virou PEC 55. A entidade nacional já se manifestou contrária, mas não pense que é por conta dos impactos sociais, não. O Judiciário está preocupado com os reajustes, auxílios e por aí vai.
Nas redes
“Alô prefeitura! Acabei de ouvir de um taxista: a gente prefere cliente não especial porque cadeirante dá muito trabalho. Pois é: eu também preferiria pedalar e dirigir meu carro, caro taxista. E preferiria também uma Prefeitura que nos tratasse com respeito. Preferir não é poder. Sempre é tempo pra gente falar de escolhas e direitos”. (Bete Rodrigues – marqueteira e jornalista – no Facebook).
PENSAMENTO:
“Em matérias e opiniões políticas os crimes de um tempo são algumas vezes virtudes em outro”. Marquês de Maricá

