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Sexta, 30 Outubro 2020

Questão de consciência

"As pessoas pedem fechamento do comércio, mas não abrem mão da praia", disse o governador Renato Casagrande (PSB) ao sinalizar medidas mais drásticas a fim de conter o avanço do coronavírus. Casagrande toca em um ponto que talvez seja o mais crucial messe período em que o Estado se aproxima, como o País, de um colapso do sistema de saúde. 

A frase do governador faz referência a um sentimento que coloca "o que é meu" acima de tudo, desconhecendo as necessidades da coletividade. Deste modo, as próprias pessoas ampliam áreas de risco e abrem canais de contaminação, como demonstram os números do isolamento social, de apenas 47% no Estado. 

Uma das consequências é a desorganização do sistema de maneira muito forte e simultânea, nas palavras do secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes. O quando mostra quase quatro mil casos de coronavírus confirmados, 146 mortes e 63% de ocupação de UTI. "Mesmo que eu tenha 1,5 mil leitos em maio, se a população não for disciplinada, não será suficiente e iremos caminhar para um lockdown", alertou.

Apesar de referidos alertas desse tipo, parte da população se locomove sem máscara de proteção, entre outros comportamentos inadequados, inclusive com pessoas recusando equipamentos de proteção distribuídos em pontos estratégicos da Grande Vitória. 

Fato é que as recomendações deixam de ser seguidas por pessoas que são desde frequentadores das praias a entregadores de encomendas, incluindo comida pronta, porteiros de condomínios, motoristas de aplicativos e mais um sem número de atividades comuns aos centros urbanos. As campanhas de conscientização que se somam aos alertas das autoridades se mostram insuficientes para conter a desobediência. 

As medidas de proteção e controle, essenciais para conter o avanço, já estão com eficácia comprovadas em outros países, onde o vírus chegou mais cedo. No entanto, no Brasil, além do atraso com que as medidas foram adotadas, o quadro se agrava com o descaso de milhares de pessoas que, com esse procedimento, disseminam o vírus por áreas maiores. 

Em algumas cidades, foi necessária a adoção de medidas drásticas, com multas e prisões, a fim de conter a onda de desobediência. No Espírito Santo, a previsão é que isso comece a ocorrer na próxima segunda-feira (11), com a Operação Coronavírus Grande Vitória, que vai intensificar a fiscalização, com a previsão de punições. O secretário Nésio Fernandes já sinalizou, inclusive, para decretar "lockdown", como uma forma de neutralizar os problemas que surtem com a quebra das regras estabelecidas. 

É preciso reconhecer que a situação é catastrófica, com milhões de vidas em risco, e o momento é de acatar as recomendações sanitárias, considerando o fato de ainda não existirem medicamentos devidamente comprovados nem vacina para a cura da Covid-19. Já passou da hora da população acordar. Nesse estágio, o isolamento e o uso de máscaras são mais que essenciais: as únicas armas de defesa. 

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