Na entrevista coletiva do governador Renato Casagrande nessa quarta-feira (13), sobre a trágica morte do presidente de seu partido e candidato a presidente da República, Eduardo Campos, o socialista não segurou a emoção. Ele perdeu um amigo e a maior liderança de seu partido.
Campos e Casagrande têm uma identidade muito grande que ia além do fato de serem do mesmo partido. Atuaram juntos na Câmara dos Deputados e assim como o governador do Estado é o nome de união no PSB local, Campos era o que mantinha o partido junto em nível nacional. Renato Casagrande é conhecido como o segundo homem dentro do PSB.
Com a morte de Eduardo Campos, a coligação que apoiava o presidenciável vai buscar outro nome para levar à frente o projeto iniciado pelo socialista. O nome de Marina Silva pareceria o mais apropriado, mas a discussão não é tão simples assim.
Como bem assinalou o jornal Valor Econômico desta quinta-feira (14), o PSB é um partido com um chefe. O problema é que esse chefe morreu e a hostilidade com Marina Silva é grande dentro do partido. Com muitas lideranças que poderão ter voz dentro do PSB, a candidatura de Marina Silva não é líquida e certa.
Neste contexto, a ventania que se estabeleceu na Grande Vitória desde a madrugada trouxe também uma brisa sobre a possibilidade de Casagrande vir a ser incluído no jogo nacional do PSB. Mas acreditar que ele largaria uma disputa acirrada pela reeleição para se lançar em um mar de incertezas na disputa presidencial ou na vice de Marina Silva, hoje é impensável.
Mas a morte de Eduardo Campos, 15 dias após sua passagem pelo Espírito Santo, vai afetar Casagrande também politicamente. A princípio, parece ter perdido o vínculo com o palanque nacional, mas sua identidade com o PSB e com Eduardo Campos é tão grande que pode ter reflexos em seu comportamento eleitoral.
Não é o perfil de Casagrande fazer campanha de comoção, mas a situação é tão natural que parece imprescindível. Mas, se os ventos nacionais levarem o PSB para o colo do PT ou do PSDB, a situação ficará bem diferente.
Fragmentos:
1 – Em respeito ao falecimento do presidenciável Eduardo Campos (PSB), a maioria dos candidatos no Brasil suspendeu as atividades de campanha nessa quarta-feira (13). No Estado quase todos deixaram de lado a campanha.
2 – Quase todos. Mas parece que se esqueceram de avisar à militância do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). À noite o bandeiraço do candidato na entrada da Terceira Ponte seguia sem problemas.
3 – Já o candidato a deputado federal pelo PT, Helder Salomão, atendendo à recomendação do PT nacional, adiou o lançamento de sua candidatura que seria nesta quinta-feira (14).

