Parece ser algo que vai de encontro ao processo democrático, mas não, o Brasil não está preparado para ter voto facultativo. Discussão é polêmica e delicada e o momento não é o melhor para o debate. A primeira impressão é que a questão é óbvia, mas não é. Eu mesma pesquisei bastante para formar uma opinião sobre o caso.
O voto facultativo tem entre seus defensores argumentos muito convincentes. A ideia de que o voto deve ser um direito, não um dever, agrada qualquer entusiasta da democracia, assim como as alegações de que qualifica o processo eleitoral por meio do voto consciente e a classe política; é um sistema adotado em países desenvolvidos, e aprimora a democracia.
Do outro lado, porém, a argumentação parece mais consistente. Aumentará o já perigoso desinteresse da população em relação à política. A diminuição natural dos votantes pode levar ao risco da perda da legitimidade da eleição e, principalmente, exigiria maior consciência de cidadania e amadurecimento da democracia no Brasil.
Com a aparente falência do sistema educacional, os altos índices de analfabetismo funcional, a visão da comunicação de versões sem aprofundamento, e análise e o cerco judiciário aos jornais independentes e opinativos, a informação é precária e muitas vezes direcionada.
A melhoria na educação pode levar ao empoderamento do cidadão, que pode levar a movimentos populares muito mais conscientes, focados e aprofundados em um futuro próximo. Os movimentos que ganharam as ruas em junho precisam se aprimorar, e em vez de rejeitar a política institucional, compreendê-la e discuti-la. É preciso participar dos espaços de debate forjados para legitimar as políticas e transformá-los em espaços democráticos.
Quando o cidadão compreender seu poder de força no processo político e que esse processo vai muito além da eleição, o voto facultativo poderá ser uma realidade. Por enquanto, a proposta não passa de mais uma forma de alguns políticos se promoverem, ao mesmo tempo em que contribuem para a elitização da política.

