O governador Paulo Hartung (PMDB) para ganhar a eleição em 2014 contra Renato Casagrande (PSB) recorreu a um expediente bem conhecido do mercado político. Com a ajuda de um estudo assinado por Ana Paula Véscovi (hoje, no Tesoura Nacional) e Haroldo Rocha (atual secretário de Educação), Hartung começou a desenhar o processo de desconstrução do governo do PSB.
Depois de vencer a disputa e assumir o terceiro mandato, nesses dois primeiros anos de governo esse discurso tem sido eficiente, tanto para garantir a desidratação de seu desafeto político como para inflar a imagem do governador em nível nacional. Mas o discurso se revela artificial e frágil. Era só uma questão de tempo.
Ajuste fiscal significa cortar tudo. E o governo cortou, tudo em nome de um superavitzinho (R$ 40 milhões) para apresentar ao Brasil. Queria mostrar que não precisa da ajuda do governo federal, que é tudo uma questão simpels de corte gastos. É claro que isso não se aplica à verba publicitária e às renúncias fiscais.
Vem contornando a insatisfação do funcionalismo pagando em dia, mas sem discutir perdas. Mas sabia que a qualquer momento a coisa iria explodir. Enquanto os servidores administrativos estavam questionando era uma coisa, mas quando a PM aquartela, fica difícil manter o discurso e a imagem que Hartung criou de austeridade. Tudo ruiu em horas.
As manchetes dos jornais de circulação nacional colocam o Estado em uma situação muito ruim e o projeto do governador, mesmo estando em licença médica, vai acumular esse desgaste. Se seu projeto era o de construir uma candidatura ao Senado para não ser baixo clero, isso acabou neste fim de semana.
Uma crise dessa proporção vai deixar marcas na gestão de Hartung, vai desidratar seu capital político e se ele já não está muito bem com o eleitorado capixaba, isso pode dificultar os planos do governador para o futuro. Isso sem falar na bola de neve de protestos dos servidores do Estado.
Fragmentos:
1 – O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) atravessa o samba ao tentar mobilização com o ministro da Defesa Raul Jungmann. Este é um caso para o Estado resolver. Às prefeituras o trabalho deve ser concentrado nas guardas, onde funcionam.
2 – A Prefeitura Municipal de Vila Velha até que tentou manter a normalidade, mas resolveu suspender as atividades em suas sedes administrativas nesta segunda-feira, a partir das 14 horas.
3 – Na Assembleia Legislativa não houve expediente na manhã desta segunda-feira por questão de segurança. A sessão solene para a instalação dos trabalhos deve ser rápida e os trabalhos serão encerrados logo após o ato.

