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Raia livre para PH

A menos de um ano das eleições 2018, os pretensos adversários do governador Paulo Hartung (PMDB) continuam dando liberdade para que ele conduza o processo eleitoral à sua maneira. Eles que deviam ir para o confronto, preferem adotar a estratégia da cautela. Acho que uma cautela excessiva. Ignoram que o momento de partir para cima é este. Essa inércia deixa o governador na zona de conforto: livre, leve e solto no campo.
 
Rose de Freitas (PMDB), por exemplo, deve achar que basta para ganhar as eleições jogar suas fichas na guerra de agendas com PH. A estratégia da senadora tem sido facilitar a distribuição de recursos do governo federal para os prefeitos e desfilar pelo Estado com ministros de Temer para mostrar força. Santa ingenuidade! Rose, na verdade, é mais uma que teme o fantasma de PH. Parece não ter coragem de enfrentá-lo.
 
O ex-governador Renato Casagrande (PSB) é outro que deixa PH solto. Embora tenha todas as características de ser o antagonista do governador, pela história dos dois na disputa de2014, prefere usar o manto de “réu político” pela constante acusação a ele feita por PH de que quebrou o ES. Reivindicar o papel de réu em política é um caminho que comumente leva à derrota.
 
Com esse campo acanhado, PH se sente confiante para deitar e rolar. A confiança é tamanha que o governador sente o clima favorável para plantar notícias que o colocam como um nome nacional, em condições de disputar a presidência ou a vice-presidência da República.
 
O que solta aos olhos é que o governador Paulo Hartung, que foi obrigado a entrar no jogo eleitoral do toma lá, dá cá, ou seja, a usar a máquina do governo para conquistar votos, pois, até então, ele estava acostumado a aterrorizar a classe política para conquistar seus mandatos. Na hora em que ele cai no lugar comum, fica solto para fazer o que bem entende. Ninguém assume o papel de antagonista, com coragem para freá-lo. Sem obstáculos, PH vai acelerando e abrindo vantagem sobre os supostos concorrentes. 
 
A liberdade de ação que tem o governador chega ao ponto de ele entregar com tranquilidade o governo ao vice César Colnago, dando ao tucano a missão de retomar o controle do PSDB estadual. Assim PH se livra de queimaduras neste processo. Ele que é do PMDB, já havia tentado antes a tomada do partido, quando chegou a negociar a própria entrada no ninho tucano, no início deste ano. Foi, porém, surpreendido pela recusa de importantes lideranças do partido, que puseram o pé na porta para barrá-lo. Neste núcleo de resistência tucano destaca-se o secretário de Desenvolvimento Urbano do Ministério das Cidades Luiz Paulo Vellozo Lucas, e o presidente estadual do partido, Jarbas de Assis.
 
Como o mercado político sabe, o PSDB é um partido essencial para o projeto de reeleição de PH dar certo. A facilidade que tanto Rose como Casagrande oferecem a PH assegura que ele construa uma condição eleitoral suficientemente forte para esse projeto de reeleição. O mais incrível é que ele está conseguindo construir essa condição espetacular em um momento político-eleitoral adverso para ele. Quem roda o Estado sabe que a população não tem mais encanto por PH. Longe disso. A popularidade de um governo de terceiro mandato que nada entregou à população é cada vez mais baixa.
 
Quer dizer, se PH sair vitorioso na disputa pela reeleição, o que eu acho que acontecerá, o resultado será atribuído à inércia dos concorrentes já declarados. Nesse mar de almirante que vai se oferecendo a PH, o único que pode acabar com essa calmaria é o deputado Sergio Majeski (PSDB). Ele é legitimamente o anti-PH. 
 
As esperanças de o tucano poder voar mais alto foram renovadas com a expectativa de o prefeito Max Filho assumir o comando estadual do PSDB. Essa disputa travada por Max Filho e Colnago, que tem desfecho no próximo dia 11, é capital para o processo eleitoral de 2018. O projeto de reeleição de PH passa por essa decisão. O governador sabe que em caso de insucesso do seu candidato pode ser obrigado a rever seus planos. Por isso a preocupação de deixar uma porta aberta para a disputa nacional, que poderia funcionar como um plano B de PH.
 
Em caso de vitória de Max Filho, um PSDB mais independente poderia abrigar a candidatura ao governo do deputado estadual Sergio Majeski. Além de tudo isso que está em jogo (e não é pouco) nessa disputa pelo comando do PSDB, essa peleja também põe ponto final na relação política de Luiz Paulo e Hartung, já que o ex-prefeito de Vitória é o principal incentivador da candidatura de Max Filho. O tucano histórico também é um entusiasta da candidatura de Majeski ao governo. 

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