Foram quatro anos de espera do funcionalismo público. Nesse tempo, insatisfação e também uma série de protestos, incluindo na conta a paralisação da Polícia Militar em fevereiro de 2017, que culminou com o fim trágico de mais de 200 assassinatos no Estado num período de 20 dias.
Finalmente, na manhã desta segunda-feira (2), meio que de supetão, o Governo do Estado resolve convocar uma coletiva de imprensa para um importante anúncio, aguardado há exatamente quatro anos: o de “reajuste” para todo o funcionalismo estadual, válido tanto para os que estão na ativa quanto para os aposentados.
O percentual, no entanto, causou perplexidade. Segundo os institutos que medem a inflação, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), medido mês a mês pelo IBGE; nos últimos quatro anos, a inflação acumulada alcançou um índice de 28,6% no período. O anúncio foi tão constrangedor que sequer o governador Paulo Hartung teve coragem de fazê-lo pessoalmente: mandou o Secretário da Fazenda, Bruno Funchal, cumprir o papel miserável. Parecia até pegadinha do dia da mentira adiado pelo feriado para a segunda-feira de manhã!
A verdade é que o Estado do Espírito Santo está entre os piores quando o assunto é perda salarial acumulada. “No Mato Grosso, os servidores tiveram 26,5% de reajuste entre 2014 e 2017. No Pará, foram 22,5%. Santa Catarina, 28,50. Nosso estado está na lanterna nos índices de reajutes junto com Acre, Amapá e Rio Grande do Norte.
Como se diz antes pouco do que nada, mas 5% é muito aquém do que a massa de servidores esperavam e também do que merecem. Vamos a alguns exemplos de profissionais que atuam em áreas fundamentais para a sociedade capixaba como a Educação e Segurança Pública.
Para um professor em início de carreira com jornada de 25 horas semanais de trabalho, 5% de reajuste significa menos de R$ 94,12 a mais no salário todo mês, sem contar que ainda passará pelos reajustes que comem uma parte do que se recebe. Para um soldado da Polícia Militar, que recebe o salário base de R$ 2.642,00, o reajuste de 5% significa R$ 132,10 de aumento.
Além da recomposição salarial, na manhã dessa segunda-feira (2), o governo também anunciou um ajuste no bônus do professor – pelo desempenho coletivo e individual. Antes, o benefício era de um salário mínimo anual, que passou para um e meio para o mesmo período. Também foi anunciado reajustou para o auxílio-fardamento, de R$ 1,2 mil para R$ 1,6 mil por ano.
Vários sindicatos e até mesmo deputados estaduais, como o parlamentar Sérgio Mageski, não pouparam críticas ao tal “reajuste” estadual de 5%. As entidades consideraram que tal anúncio não passou de eleitoreiro, anunciado a alguns meses do pleito.
Se foi estratégia de Hartung apertar os cintos nos três primeiros anos de mandato, num forte arrocho, para soltar as rédeas em ao eleitoral, surgindo como um “salvador da pátria” do funcionalismo e também do povo do interior do Estado, para onde tem liberado uma série de recursos para pavimentação de estradas e construção de barragens, o tiro parece que tem saído pela culatra.
O povo capixaba, ao que parece, já não é tão “mais bobo” assim.

