O movimento dos deputados estaduais de rejeição à reeleição do deputado Theodorico Ferraço (DEM) na presidência da Assembleia vem sendo acompanhado a uma distância segura pelo governador Paulo Hartung (PMDB). Ele não mete a mão, mas seus interlocutores estão dentro do grupo de dissidentes, que fica maior a cada dia.
Mas não se pode confundir o movimento dos deputados de independência para a eleição da Mesa Diretora com um movimento contrário ao Palácio Ancheita, longe disso. O plenário está dividido sim, mas os dois lados estão coalhados de governistas. Achar que esse é um recado de que a Assembleia será mais independente, é inocência.
Talvez por isso, o governador esteja deixando a coisa correr até agora, diferentemente de 2015, quando ele voltou de viagem internacional batendo na mesa e chamando à responsabilidade os deputados que formavam um grupão contrário a terceira reeleição de Ferraço. Na disputa deste ano, a coisa é bem diferente.
Não se trata de busca de independência do Poder como um todo. Os deputados querem apenas que o governador não interfira no processo e o deixam tranquilizado, já que a questão é interna mesmo.
Os deputados não querem mais Theodorico Ferraço, mas o nome a ser escolhido será alguém da base, que vai continuar garantindo a “harmonia entre os poderes”, em outras palavras, vai continuar servido de despachante de luxo para o governo, aprovando tudo que é mandato, sem questionar e muito menos fiscalizar o Executivo. A questão é meramente interna.
Para Hartung a movimentação pode ser até boa. Ferraço é tido no plenário como uma liderança que se movimenta sempre na direção de defender os interesses de seu grupo político, sobretudo, da mulher, a ex-prefeita de Itapemirim, Norma Ayub (DEM), e do filho, Ricardo Ferraço (PSDB). Se Paulo Hartung for mesmo candidato ao Senado, pode ter problemas de acomodação com Ricardo Ferraço e, neste contexto, ter o pai do tucano à frente da Assembleia talvez não seja tão interessante.
Fragmentos:
1 – A resposta do governo do Estado às denúncias do deputado Sérgio Majeski (PSDB) sobre a não aplicação do mínimo constitucional de 25% do Orçamento na Educação não convence. A resposta é que o governo aplicou 27,78% em 2015 e ponto.
2 – Mas a questão levantada pelo deputado é justamente a aplicação ilegal de um aporte da Previdência Social que faz com que o índice pareça estar sendo cumprido, quando na verdade está abaixo do que deveria, se considerado o que realmente é investimento.
3 – O entendimento dos deputados que compõem a Comissão de Finanças também não faz sentido. Não é porque outros estados estão fazendo que seja legal.

