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Recomeçar

O que aconteceu no último domingo (17), em Brasília, tem bastante responsabilidade do movimento sindical também. No que se refere ao dia da votação do impeachment, propriamente dito, havia gente suficiente para ocupar o Congresso e cobrar respeito à Constituição e à defesa da democracia. Não foi feito, assistiram pacificamente, do lado de fora, o mandato democrático ser colocado em xeque. 
 
Mas o erro do movimento sindical não se restringe ao último domingo. Foi uma sucessão de equívocos, que vão da omissão às disputas que visam apenas a manutenção do pequeno poder de cada entidade. Enquanto isso, o golpe era construído e consolidado nas barbas das lideranças populares. 
 
O primeiro equívoco foi sair das ruas. Uma vez tendo o Partido dos Trabalhadores chegado ao poder, entendeu o movimento que nada mais seria necessário fazer, cobrar, pressionar para que as mudanças cobradas pela classe trabalhadora se realizassem. Ledo engano. 
 
Esqueceu o movimento sindical que o regime presidencialista no Brasil sempre deu muito mais poder ao Parlamento do que ao Executivo e faltou cobrança e ocupação desse espaço, seja pela eleição de lideranças ligadas ao movimento, seja pela formação política que conscientiza as bases e criam representantes. 
 
Ainda nessa questão, os sindicatos se envolveram em suas brigas internas pela perpetuação do poder nas entidades, que tinha como raiz o capital. Não trabalhou a pauta de reivindicações, não ampliou a plataforma de luta da classe trabalhadora, como tanto debateu a coluna ao longo de 2015. 
 
As lutas pelas garantiras sociais, a defesa do trabalhador e sua inclusão no debate político ficaram em segundo plano. Quando acordou, o movimento sindical já havia perdido a capacidade de mobilização. E em cima da hora, tentou reocupar as ruas. Foi tarde demais.
 
Agora é hora de refletir sobre a sequência de erros cometidos, reestruturar-se buscar na base, na militância um recomeço. Dessa vez, com a consciência de que a direita está sempre à espreita e que não vai se furtar de aproveitar qualquer brecha deixada pela classe trabalhadora. 
 
Faltou coragem!

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